Café

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Você nunca sabe o que esperar de alguém indeciso no momento em que a criatura se decide. Essa sou eu, analisando a clientela da cafeteria. Todos os dias os tipos mais estranhos sentam-se para um café.

Esse aí, sentado à minha frente, com olhar fixo nos meus cabelos é o Roberto. Ele vem aqui todos os dias, praticamente no mesmo horário. E, quase sempre, sou eu quem serve o café para ele. Eu preparo o pedido com cuidado porque ele segue cada ação minha até a xícara ser colocada à sua frente. Não quero que nada dê errado, especialmente porque ele me trata muito bem. É gentil, educado e simpático. Diferente de outros exemplares estúpidos. Eles sentam como se tivessem direito de deixar sair pelos poros a falta total de respeito e cuidado para com quem os serve.

Eu puxo assuntos com ele. Pergunto desde a cor da moda até o resultado do futebol. Na parte da manhã, leio as notícias na rede para depois perguntar a opinião dele sobre o assunto. Só para fazê-lo ficar, entende? Ele responde. Eu pergunto outras coisas. Minha colega me olha e sorri. Entrego os pedidos para os outros clientes com agilidade porque, depois, é sempre possível ficar no balcão, jogando conversa fora com ele.

Ontem ele pediu um expresso. Hoje um cappuccino. Nunca pede a mesma coisa.

Hoje ele está vestindo azul em vários tons. Combina com o olhar castanho claro e com a cor escura da pele. Minha mãe sempre me chama de indiscreta quando observo a aparência das pessoas com tanta minúcia. Mas não faço isso com todos. Nem faço isso sempre. É com ele.

Talvez ele seja sozinho. Se eu não fosse tão preocupada com a reação da minha mãe, porque minha reputação diz respeito a ela, investia nele. Sei lá! Dava em cima. Quebrava esse gelo. Sabe aquele sentimento incômodo e que não larga você de jeito algum? Eu o convidaria para jantar em algum lugar diferente. Quem sabe um cinema, ou um bar com música.

Daqui uns cinco minutos ele vai sorrir, me dizer um até logo, seguir para o caixa e sair. Uma rotina bem conhecida. Vamos nos despedir com um aceno e nos veremos na segunda-feira outra vez.

Ele trabalha na loja do primeiro piso, Áudio & Som. Tem um carro de segunda mão e faz intensivo no sábado.

— Obrigado pelo café.

— De nada!

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