Incógnito

 

Aquela espelunca, cheirando a cigarro e álcool, nos fundos do bordel, era chamada de escritório. E a pouca luz deixava tudo pior. Os poucos móveis que decoravam o lugar, contudo, eram melhores que as delegacias pelas quais percorrera antes daquele serviço porco. Odiava aquilo. Odiava aquela bandidagem toda. Estava começando a imaginar-se para sempre dentro daquele mundo, cheirando cocaína, crack e outras misturas que faziam. Imaginava-se um dia bebendo o próprio vômito, com o nariz enfiado naquele cheiro acre ou com o gosto de sangue na boca. Ou então, com uma agulha enfiada na veia, no braço roxo de apertar a borracha.

Sentia-se confortável longe de regras de comportamento, a favor daquela desordem social, inversa da qual vivera até três meses atrás. Gostava do sentimento que a violência que usava contra os devedores proporcionava. Machucava-os de propósito porque se sentia capaz de enfrentar o mundo. Depois? Depois era arrependimento. Sua redenção era recuperar um ou outro, levando-os até quem os pudesse ajudar. Juntar uns poucos trocados e alimentar as bocas famintas que ficavam para trás.

— Chamou?

Já pensara em como seria morrer mergulhado por entre as pernas da adolescente Vânia, gozando até enfartar-se, ou enfiar-se por entre os peitos enormes da experiente Susana, naquelas camas cheias de ácaros, percevejos e afins. Emaranhado naqueles lençóis impregnados de sujeira, suor e sêmen de homens viciosos que não tinham sequer onde caírem mortos, mas juntavam tudo para cair nas graças das mulheres da zona.

Era com Sônia, porém, nas camas de motéis pelos quais vagavam que se entupia de sexo seguro, de camisinhas perfumadas e calcinhas de renda. Odiava-se, às vezes, sentir-se tão limpo e alegrava-se estranhamente voltando para aquele antro no qual entrara disfarçado.

Esses delírios, contudo, não tinham tanto impacto quanto imaginar-se descoberto, encarando a fúria do grupo, sendo revelado como traidor que era.

A música que vinha da parte da frente, onde funcionava a boate, parecia um daqueles boleros de bêbado e embalava a vontade de sair correndo toda a vez que a noite chegava.

— Temos um encontro com o Doutor.

Julião não parecia importar-se com nada além da grana que gastava nas horas do dia. Grana que vinha das drogas, das armas e da prostituição. O Coronel era o chefe, mas Julião aproveitava como ninguém.

— Agora?

A pergunta soou como reclamação e o homem endireitou-se da cadeira, depositando a arma que lustrava bem à frente, por sobre a mesa escura. Não gostava de ser questionado, nem por seu braço direito.

— É. Agora. Junta aqueles três inúteis e me espera no carro.

Passou por ele devagar e ainda bateu nas costas.

— Pra onde vamos?

— Pra debaixo da ponte, idiota. Onde é que sempre vamos quando temos uma transação em andamento?

Respirou algumas vezes. Esperou Julião sair. Talvez aquilo não fosse realmente coisa pra ele. Aquele serviço estava pesando sobre seus ombros. Mas não tinha saída. Não até descobrir o que precisava.

Seguiu contrariado. Não tinha graça aquelas saídas às escuras. E já passava da meia noite.

***cd***

Aquele barracão caía aos pedaços. Mas era isolado e seguro. A polícia nunca entrara por aquelas paradas para qualquer averiguação.

— Vai preparando a grana. – O homem de meia idade, com terno de décadas atrás, foi falando com voz sóbria, olhando ao redor, depois que visualizou o grupo. – O chefe quer tudo na quinta-feira, por volta das onze. – Cuspiu no chão e enfiou o palito outra vez por entre os dentes. – Vê se não amarela. O cargueiro chega cedo, mas o pacote só sai depois das dez.

— O depósito vai ser feito em partes, Doutor. – Julião não era de responder muito para o engravatado. Não dava margem para alongar a conversa.

— Quem vai ficar na cobertura?

Ele interferiu, tentando descobrir detalhes que, de última hora fariam a diferença.

— O Coronel quer pouca gente na transação, Preto. Ele não quer chamar à atenção. Foi um acordo.

— Eu tô sabendo. – O Doutor completou – O container chega num caminhão vermelho. E é bom a grana ser depositada mesmo, do contrário, aquela caixa não sai de dentro do navio.

O homem foi se afastando e entrando no veículo.

— Que loucura…

— O que foi?

— Um carregamento de droga tão grande vir pelo porto como mercadoria qualquer? Você deve estar brincando, Julião.

— Fica quieto, aí, irmão. Esse carregamento vem na hora certa. Jogada de mestre. Os caras de farda nem suspeitam.

Julião era o mais letrado do grupo.

— Sei…

— Qual é? Sabe de alguma coisa, Preto?

— O que eu sei é que esse cara aí… – Apontou o dedo para o carro que saía. – Já andou metendo muita gente na vala. O idiota do Natinho me disse o nome dele passou a ser Doutor depois que ele arrancou os intestinos duns caras. – Parou e voltou-se para Julião. – Os caras estavam vivinhos, se quer saber.

Julião deu de ombros.

— O homem sabe o que faz. Está tranquilo, lá na mansão, e me garantiu que não tem problema algum.

— Sei.

Enquanto voltavam e as luzes da cidade ainda cintilavam no escuro, ia matutando uma maneira de avisar o departamento. Cleiton Viriato Batista, vulgo Coronel, agiria novamente. Desta vez, não poderiam deixá-lo escapar.

Pensava no curto espaço que teria para preparar-se para a ação. Armazém vinte e três. Cais do porto. Terreno baldio. Nada era tão sujo e tão degradante quanto o abandono daqueles galpões, a não ser as vidas subjugadas àqueles criminosos e às suas vontades. Vidas desperdiçadas, escorraçadas, muitas ceifadas das famílias. Quem cruzasse com O Coronel estava sujeito àquilo.

As coisas não deviam ser do jeito que eram e o mundo não tinha salvação. Assim ele pensava toda vez que as transações aconteciam naqueles lugares ermos. Aqueles criminosos não tinham mesmo noção de como aquilo era insuportável porque estavam acostumados à sensação de vazio, de sujeira, de degradação. Acreditava naquilo assim como acreditava em sua arma. Ela fazia muito mais sentido em determinados momentos do que uma possível redenção daqueles homens que de humanidade nada tinham.

O mandachuva do narcotráfico de toda aquela grande área sul não era flor que se cheirasse. Tão pouco Julião. Os policiais do departamento de narcóticos não tinham nem ideia de como aqueles indivíduos eram bárbaros. Nos meses que estivera disfarçado tinha visto execuções cruéis, não tendo como intervir. Ainda sofria pesadelos pelo que vira e recusava-se a largar o disfarce porque terminar com aquele bando era objetivo mais do que prioritário.

O arrepio no corpo acontecia de qualquer maneira. Toda a vez que a ação era anunciada. Estava, quem sabe, perdendo o tino policial, ou a frieza que uma vez corria no sangue. Costumava agir de forma racional, mas a vida, nas últimas semanas tinha sido conturbada. A intuição não falhava. Ainda possuía aquela argúcia que o pusera dentro daquela camuflagem toda. Pelo menos era o que ainda tinha de melhor.

***cd***

Tobias era um sujeito franzino perto de Preto. Parecia doente. O pouco que Preto sabia dele era que tinha entrado para a polícia federal a pouco tempo e que já tinha tomado tiro no primeiro ano num confronto com o tráfico da capital. Era perito em alguma coisa que ele não lembrava. Alguma coisa relacionada com o curso superior que possuía.

— Tá sabendo de alguma coisa, Preto?

As pessoas passavam por eles evitando o encontro. A rua fervilhava num amontoado de rostos sem identificação.

— Vai ser na quinta-feira. Passa para os outros. Tem que ser rápido.

— Tem certeza?

— Não passei todos esses meses me sentindo um lixo por nada. Já tava na hora de terminar isso tudo.

— Quer pular fora?

— Não. Eu mesmo quero prender esses filhos da puta. Avisa a chefia que vai ser às onze. Perto do armazém vinte e três.

O encontro seria o término de meses de mentiras para os familiares, mesmo que os mais próximos familiares fossem tios morando no interior. Uma grande venda estava prestes a acontecer. Milhões envolvidos porque aquele carregamento que estivera sendo planejado por meses abarcava uma cifra que ele não conseguia contar.

Os policiais estavam avisados e o confronto seria o último. Agora, a espera o mataria, senão o matassem primeiro.

Sentia-se embrutecido. Tantas cenas de crimes. Corpos jogados nas valas. Fugas pelas ruas dos bairros. Subidas e descidas nos morros. Revólveres, escopetas, fuzis. As imagens atribulavam o sono. Os sonhos eram recheados da ideia da morte.

— Tenha cuidado.

Olho no olho, Preto podia dizer que Tobias segurara as palavras que não vieram.

Ficou parado, lá, na esquina, vendo-o desaparecer por entre a multidão que circulava.

***cd***

A surpresa veio em golpes estanques.

— Anda, Preto! Temos que ir.

Julião chamava.

— O quê? Pra onde?

— Mudança de rumo, irmão. O Coronel está nos esperando.

— A transação é hoje?

Não recebeu resposta.

— Mas que filho da puta…

Resmungou num misto de susto e indignação, de confusão e medo. Mudança de planos? De que jeito? Como? O pessoal correu armado até os dentes. Dois carros e um furgão. Dois homens em cada. Ele não teve muito tempo. Enquanto verificava a arma, a vida ganhou outro sentido. A espelunca vibrou junto dos tremores. Colocou a mão em seu distintivo, tirando-o de debaixo da gaveta da mesa daquele cômodo que ocupava quando estava com os caras.

— Tá todo mundo esperando por você, princesa!

Ouviu Julião chamá-lo do lado de fora. Pensou em Tobias. Pensou em avisá-lo enquanto ia de encontro dos carros. Mandar mensagem era o que podia fazer. Mas como fazer com Julião ao seu lado?

A distância ganhou um gosto salgado na boca. O peito, constrito, arfou umas quantas vezes antes da última avenida cruzada. As ruas foram vencidas em agonia. A chegada, no cais, perto dos últimos galpões, tinha cheiro de morte misturada a peixe, a sal, ao vazio daquele espaço todo. E o barulho da água o deixou enjoado.

Julião estacionou primeiro naquela negritude. Só o furgão do outro lado apontava as luzes baixas para os que chegavam com eles. Homens ladeando o veículo de armas em punho foram se tornando visíveis. Como fantasmas em uma última aparição. Batista, carregando as correntes e pulseiras de ouro, se pôs ao lado do Doutor em seu terno branco fumando como sempre.

Antes de sair do carro, mandou mensagem curta para Tobias. Ajuda. Única palavra. Única esperança. E não teve certeza de ter escrito corretamente.

— Chefe… Doutor…

Julião cumprimentou-os de forma séria. Estava à sua frente e o pessoal se juntava numa única linha.

Não teve conversa alguma. O Doutor estalou os dedos e dois caras saíram de detrás do furgão arrastando um garoto magrelo.

Os olhos arregalados miraram Preto de primeira e ele congelou.

Quem era o sujeito? O que é que estava acontecendo?

— Diz aí, anjinho… – o Doutor puxou os cabelos encarapinhados do mulato miúdo – Quem é que tá amarelando o nosso negócio?

Algo estalou dentro de Preto enquanto Julião olhou-o de lado, puxando a arma.

— Seu filho da puta!

A voz foi seguida de gatilhos armados e tiros. O corpo de Julião serviu de escudo para ele e a passagem para dentro do carro. Não soube exatamente como é que deu a partida e atropelou os dois da direita, mas saiu, escutando os carros cantando na traseira.

A perseguição, contudo, não durou muito porque as sirenes da polícia ecoavam nas proximidades. Tudo o que Batista, Julião e o Doutor queriam era publicidade. Eram espertos demais. Quando ultrapassou a barreira que dividia os armazéns do cais do bairro, abandonou o carro e seguiu a pé, esgueirando-se pelos pequenos becos, desviando as ruas que seguiam para o interior da cidade.

Foi quando se deu por conta de que estava ferido.

— Que merda!

Exclamou totalmente atônito, olhando para a mão que tinha sido pintada de vermelho. Quando é que acontecera, mesmo? Em que momento fora atingido? Porque não sentira nada? Era seu sangue aí, decorando as linhas da palma, os dedos, o pulso. E sorriu de idiota que era porque seria encontrado e morto pelos homens de Batista. Precisava de ajuda, e rápido.

Tirou do bolso o celular.

— Caralho!

A rachadura na tela do aparelho não era bom sinal. Maldita tecnologia! Os dedos mal obedeciam ao comando. Uma falta total de coordenação apoderou-se dele.

Tentou ligar. Nem sinal nem nada aparecia na tela escura. Se Tobias recebera realmente a mensagem, não tinha certeza.

***cd***

As gotas foram caindo, encharcando a rua vazia uma após outra, num ritmo frenético, alucinado, de comum acordo com o céu e as nuvens. Foram preenchendo a secura da calçada, não deixando espaço entre elas. A calçada recebeu cada gota, sequiosa, como se fosse a própria terra, quente e árida por debaixo dela. Abraçou a chuva para seu deleite enquanto a noite se transformava em melancolia.

Do azul cinzento que havia no final da tarde para a cor que inspiraria os poetas mais tristes, a noite se compunha em pingos que se entulhavam pelas fendas e desníveis. A rua era lavada. A água carregava para o seu destino toda a poeira. E seguia também de encontro ao próprio fim.

Ele estava vendo. Estava vendo tudo terminar, o céu desabar em água, a negritude tomar conta, a vida passar diante dos olhos. Estava sentindo o gosto do próprio sangue na boca, o calor por entre os dedos da mão esquerda. Seu destino sendo selado ali, numa brecha, por entre prédios, de um lado isolado da cidade.

A calçada irregular, antes seca, agora era embebida por água que não terminava mais. O céu já não deixava visível outra coisa senão as formas das nuvens que eram percebidas pelo clarão dos relâmpagos. Ele não teria salvação. Ninguém passava por ali. Sabia que não havia alma alguma nas proximidades daqueles armazéns abandonados. Estava cansado de correr. Tinha fugido por muito tempo. E o fôlego que buscava alcançar parecia ser mesmo o descanso final.

A chuva se misturava às lágrimas. Suas lágrimas. Porque doía, mesmo não querendo. Porque sentia, mesmo tentando ser forte. Era um homem forte, mas tudo parecia frágil nele, naquele momento. Seu corpo estava quente e ardia. Era febre. E ele tremia. Tremia contra a vontade. As entranhas gritavam para que desistisse. Quase no fim da madrugada, dizia para si mesmo que algo dentro dele, que ia além dos nervos e músculos, e pele e ossos, deveria aguentar, resistir por mais algum tempo.

Estava cansado e ferido. Sangrara. Conseguira estancar o sangue. Tudo parecia rodar vez ou outra. O ferimento… A bala atravessara seu corpo. Não estava lá, dentro dele. Precisava de abrigo. Precisava… Tinha sido traído. Alguém o delatara. Não era possível mais confiar em quem quer que fosse. A droga daquele trabalho era exatamente aquela. Precisava respirar mais um pouco e assim como a chuva tentar percorrer mais um pouco de chão. Talvez encontrar uma boa alma que o pudesse esconder por um tempo, se é que a morte não o abraçaria antes.

Se conseguisse enganar o destino… Se conseguisse sobreviver àquele dia… Então tudo poderia ter outro final. Olhou para o distintivo, sua identidade, parada na mão. O plástico ainda reluzia no escuro, mesmo manchado de sangue e mesmo sem a luz que parecia merecida. Tinha lutado muito para obtê-lo. Tinha treinado incansavelmente, se esforçado, feito da profissão sua vida.

O barulho do carro o alertou e a luz fraca ao longe o surpreendeu. Estava vindo em sua direção.

Numa dança incerta das pernas, seu corpo ergueu-se do chão, tentando emergir daquela letargia que o dominara por completo até aquele momento. As pernas haveriam de ter força suficiente para deslocar-se até o meio daquela ruela e parar o veículo, mesmo que no processo fosse atropelado. Seria a última chance.

Respirou mais intensamente e numa ação suicida se pôs na frente do utilitário, que parecia conhecer bem aquele trajeto, erguendo o braço direito com a mão ainda segurando a identidade de policial federal, num gesto desesperado e confuso.

O barulho do freio não foi tão intenso. Talvez pela água que a rua lavava, talvez pela luz intensa que o cegou e o fez fechar os olhos e esquecer-se do mundo por completos trinta segundos.

Os joelhos fraquejaram. Caiu por sobre eles, expulsando o ar dos pulmões como se fosse indesejado e soltou um gemido. A dor o tinha apunhalado. Tinha arrancado a última gota de coragem, o último gesto de força. Naquele instante só queria estar por entre os braços de alguém e que esse alguém o salvasse. Porque precisava ser salvo. Porque merecia. Porque ainda não era sua vez. Sabia que precisava aguentar mais um pouco. Só um pouco mais. Só um pouco mais…

— Ei!

Contra a luz dos faróis, não conseguiu identificar o rosto do sujeito. As mãos do homem já o seguravam firmes.

— O q-que pensa q-que está fazendo? Quer m-morrer? O que aconteceu?

Era a voz de Tobias, gaguejando as perguntas que ele mal conseguiu entender. Precisava de ajuda e com urgência, e não de reprimendas. Arrancou suas últimas forças.

— Algo não deu certo. Alguém me denunciou.

A chuva ainda caía.

— Ok, ok. Vamos por partes. Aguente mais um pouco. Eu vou ajudar.

Olhou o ferimento.

— Ah, droga! Está… Está sangrando! Espera… Espera… – deitou-o um pouco mais, segurando-o firme – N-não morre agora. Não morre. Vou levar você para um hospital. Por favor, não morre.

— Não, Tobias! – O que aquele sujeito queria? Que o encontrassem? Que o matassem de vez? Que chance teria? Quem é que o salvaria? Respirou ofegante. Tentou se manter firme – Não pode! – sentindo-se fraco e com a cabeça girando completou – Não pode. Não pode. Preciso de um lugar. – os olhos esverdeados do outro policial pareciam mais claros. – Um lugar seguro. Por favor. Por favor.

— O quê?

Sentiu as mãos tentando erguê-lo e carregá-lo dali.

— Está sangrando. Vai morrer! Pelo amor…

— Não! – puxou a camisa do homem para que se aproximasse. Sua última chance. Única saída. Precisava fazê-lo entender que não era seguro no hospital. – Não… Eles me encontrarão… Não pode… Precisa me ajudar… Precisa…

— Está bem. Está bem. Sem hospital, certo? Prometo.

Sentiu o corpo sendo tomado por um torpor indescritível. Estava caindo. Estava escurecendo… A chuva. Ainda podia sentir a chuva. O frio. Os tremores voltavam. O corpo queimava. Escutou Tobias.

— Alô? Coronel?

Fechou os olhos. Estava longe agora. Tudo estava longe. Não existia mais nada. Mais ninguém. Só a escuridão.

 

 

INCÓGNITO

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