A Arca das Palavras

wind-nymphs

Terra, Continente do Norte, 2-988. Registro midiático 10950.

O objeto foi deixado a mim por alguém conhecido de minha mãe, com indicação expressa: abri-la em meu trigésimo aniversário.

Se eu não a estivesse tocando, não acreditaria. Uma arca, assim como todas as arcas da história da humanidade o foram: de madeira envelhecida e cheiro de ancestralidade; tão sólida que seria preciso muita força para arranhar sua superfície com qualquer lâmina cortante, e tão maciça quanto as ligas de metais descobertas nesse século carregado de tecnologia alienígena.

Meu monitor de pesquisa aponta para um exemplar de quercus, hoje existente apenas em algumas montanhas ao sudeste daqui. O selo é áureo, de metal raro e inexistente.

O primeiro contento é um papel caligrafado, deixado, creio, propositalmente, em cima de vários exemplares de livros, artefatos de papel não mais produzidos por nós. Tenho uma raridade nas mãos

Jurisdição de Europa, 2798.

 

Só entendemos o mundo como um lugar mágico quando vivemos uma fantasia e nossa memória não mingua com a idade, porque a crueldade do tempo é incompreensível ao condenar-nos a uma decrepitude inadmissível.

Não vou chorar, aqui, porém, diante dessa carta em folha amarelo-pálido, ou frente ao branco dos meus parcos cabelos. Muito melhor será contar como fui atraído para essa aventura, nos idos de 1888, levado por cheiros de incensos e óleos, um chá de hortelã com eucalipto, e o motivo de você a estar lendo.

Naquela dia, a aurora invadiu o cômodo muito mais cedo do esperado. Oamanhecer trouxe algo diferente. Senti em minhas entranhas. A luz se difundia intensa e quase inverossímil. Ao abrir os olhos, esforcei-me a aceitar a claridade estranha. Notei a fina e intrigante camada de pó sobre os móveis; um misto de culpa e desprazer bateu em meu peito, porque a casa era minha, afinal, e eu devia organizá-la e mantê-la asseada, a fim de que o caos não imperasse. O véu de poeira a cobrir de forma parelha e, até, ordenada os objetos, contudo, não deveria estar lá, uma vez tendo feito limpeza na tarde anterior.

Continue lendo AQUI!

Conto meu para a dinâmica Elementais da Natureza no blog As Contistas.

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