Resenha: “PÁGINAS DO IMAGINÁRIO: Contos Fantásticos”, de E. E. Postali – Por Bianca Machado

CAPA LIVRO PORTUGUÊS PAGINAS DO IMAGINÁRIO lilás - Cópia“Para começar as leituras do ano de 2020, eu queria um livro especial: um livro de uma escritora brasileira do qual gostasse da escrita. Dando uma olhada na estante, fiquei feliz por ter muitos livros de autoras nacionais, mas entre elas, aquela a qual eu já conhecia a escrita, muito boa por sinal, era a querida Evelyn Postali.

Páginas do Imaginário, como o próprio título dessa resenha já deixa bem explícito, é um livro de contos fantásticos. São 11 textos, com diversos temas do mundo fantástico: terror, horror, ficção científica, fantasia, realismo fantástico… Me programei para ler um conto por dia, mas quem disse que eu consegui?

Confesso que não sou muito fã de fantasia, mas gostei de todos os contos da Evelyn, principalmente esses dessa temática. Vários contos do livro dariam um romance de muitas e muitas páginas, tranquilamente. Sou uma admiradora da escrita da contista, principalmente dessa sua habilidade de ser tão diversa, de escrever tão bem em diferentes temas. Além dos textos dela publicados aqui no blog das Contistas, no site EntreContos é possível conferir outros, basta clicar aqui.

Para concluir, deixo trechos de alguns contos do livro, no caso daqueles que mais gostei.

O corte no pescoço feito pela pequena adaga foi suficiente para um espectro de luz negra envolvê-lo e o fazer dissipar-se no ar. Claire ajudou o amigo a se erguer, ainda atordoado, enquanto Lérandolë, num gesto veloz, cravava a espada no peito do inimigo, fazendo desaparecer na escuridão que cresceu ao redor. (Longo Caminho de Volta, p. 40)

Sentado naquela jaula desinfetada e de extrema brancura, fechada por quatro paredes intransponíveis, amargava a solidão sempre desperto. Não entendia o motivo pelo qual alguns humanos haviam sido selecionados diante de bilhões de outros. (Enzo’s Boy, p. 62)

A partir de agora, senhores, estarão numa corrida contra o tempo. Devem encontrar a saída antes que a besta os encontre. Se não tiverem tal sorte, usem as adagas para defenderem-se. A luta será mortal, devo adverti-los. Não haverá qualquer piedade por parte de minha criação. (O Labirinto, p. 92)

– Eu… Não sou normal – Carionte suspirou.
– Você é. Nós somos.
Carionte sorriu e brincou.
– Só tem um rabo fora do normal.
– Bem… Eu tenho que confessar que não acho os seus pseudo chifres algo muito fora do comum também. Eles são… – Procurou pela palavra certa. – Charmosos em você.  (Encontros e Desencontros na Cidade dos Centauros, p. 128)

Encontrei uma foto nossa perdida em meio às páginas de um deles, aquela que tiramos no aniversário de um dos nossos amigos em comum. Lá estava ele, agarrado a mim, ainda apaixonado. […] Por um instante, meu estômago apertou e eu senti saudade do que tivéramos. Não sei por que pensei encontrar alguma pista ali. (Raul, p. 165)

– Quer mesmo testar a sorte, não é? Eles não a compararam com uma hidra por nada – Bernardo interveio argumentando. – Você é ridículo – sussurrou. – Aquele grupo de repórteres não sumiu por nada naquele pântano. […] (Ulda, p. 176)”

 

via Resenha: “PÁGINAS DO IMAGINÁRIO: Contos Fantásticos”, de E. E. Postali

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