Resenhas de Promessa de Liberdade

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Kaio     27/10/2016

Final assustador!!
E se a Lei Aurea jamais tivesse sido criada? E se a Princesa Isabel tivesse sido morta em um bruto golpe de Estado antes que a lei que extinguiria a escravidão no Brasil tivesse sido assinada? Que rumo teria tomado o país? Como ele estaria hoje?

Sob essa premissa, Promessa de Liberdade desenvolve-se, narrando a história de um Brasil muito diferente daquele que conhecemos.

Com a exploração do trabalho escravo, fabricando produtos a baixo preço e vendendo-os no exterior, o país tornou-se uma das maiores potências industriais. Porém, tornou-se também um dos maiores regimes opressões de toda a História. Conservador ao extremo, o racismo nunca foi tão grande, assim como a descriminação e perseguição a todas e quaisquer tipos de minorias. As religiões multiculturais, a livre expressão de pensamento, e as fronteiras de acesso ao país são todas controladas pelo braço forte e cruel do Estado.

Em meio a escuridão, porém, há sempre alguém a manter seus ideais e a lutar. Em Promessa de Liberdade, da escritora Evelyn Postali, acompanhamos a história de Carlos, um jovem herdeiro de uma das maiores família escravocratas do Brasil e apoia a causa abolicionista. Carlos, virará contra o sistema e qualquer um para viver um romance proibido, inclusive, contra a própria família. Promessas de Liberdade é um livro encantador e ao mesmo tempo angustiante, pois nos faz ter noção, ao acompanhar a trajetória dos personagens, da dura e cruel realidade da escravidão. E nos ensina que, pior que qualquer grilhão, é a prisão que pode aprisionar nossas mentes.

 

Mari @blogdiversamente   28/12/2016

Sensacional, cativante e maravilhoso!
O livro começa contando a história de um casal, onde um “patrão” se envolve com uma escrava e fogem para tentar viver esse amor, mas acaba terminando em uma tragédia.
Com um salto de tempo, pulampara 2016 onde conheceremos nosso personagem principal. Carlos de Almeida Paes Leme, filho de Fernando de Almeida Paes Leme, dono da maior cooperativa de escravo do Brasil. Só que ele não concorda com esses ideais e decide viver por sua conta. Integrando a Ponto Reverso, uma banda “revolucionária” e sendo professor de música, Carlos consegue levar sua vida bem.

Com ideias revolucionários, Carlos não se dá muito bem com seu pai e irmão, Leonardo, já que as ideias divergem. Leonardo é o filho mais velho de Fernando e é seu sucessor, vi no livro que talvez a vontade de Fernando era que Carlos assumisse a cooperativa, não sei se foi a intenção da autora mas foi o que eu percebi rs.

A história começa a tomar um rumo mais agitado, digamos assim, quando há uma invasão na CoPRHE e alguns escravos conseguem fugir e um deles encontra o Carlos. Mas será Carlos capaz de ajudá-lo? Mesmo sabendo que se descoberto, ele pode perder a identidade e se tornar um escravo?

Nesse Brasil, há o preconceito exalando em todos os lugares, pessoas sendo julgadas pelo tom de pele, mulheres sendo submissas, sempre servindo a vontade ora do marido, ora da sociedade. Homossexuais considerados invertidos, músicas, livros, conhecimentos sendo censurados pelo Estado. Um Brasil onde o branco e rico mandam, percebi que a humanidade andava perdida, a liberdade era uma ilusão. E a promessa de liberdade, se encontrava depois das fronteiras.

Eu devo dizer que sem sombras de dúvidas foi o livro mais difícil de 2016 contudo, o mais gratificante também.
Eu tive certas dificuldades ao iniciar a leitura, precisando reler 3 vezes os primeiros capítulos, já que por se tratar de um Brasil diferente do habitual, precisamos saber como ele é e quem são as pessoas que o comandam e os primeiros capítulos nos explicam isso, mas depois ele fluiu rápido e delicioso.
Não vou dizer que a história é leve, ela não é. Mas ai que está o encanto, a leitura é angustiante, nos faz sofrer e você logo quer descobri como termina. Por isso ela foi gratificante, eu senti o livro. Sofri, amei e vivi o Brasil escravagista.

Preciso nem dizer sobre a diagramação do livro, linda demais! Os capítulos são numerados, o livro é dividido em 3 partes e cada inicio era marcado por uma frase ligada ao que viria.
A capa é linda e os detalhes de dentro também. O livro é narrado em 3° pessoa e conta com os pontos de vistas de alguns personagens. A escrita é direta, forte.
Devo dizer que quase morri com o final mas se não fosse ele, o livro não traria essa sensação de realidade. Sofri muito com a leitura mas com certeza, reler ela fará parte dessa minha caminhada literária.

Taverneiro   10/05/2017

Distopia Nacional de Qualidade
Bom, todos aqui devem conhecer o período de escravidão no Brasil, não é? Pessoas feitas de objetos com o proposito apenas de realizar seus trabalhos, tratadas como inferiores e punidas severamente por qualquer deslize, até ter seus sonhos e esperanças estraçalhados. Um baita período ferrado da história do Brasil e do mundo. Aqui em Promessa de Liberdade, vemos um brasil onde esse período por algum motivo não acabou em 1888, e sim perdurou até a era moderna.

O livro acompanha a história de Carlos de Almeida Paes Leme, é filho de um dos homens mais poderosos do país e dono da maior rede de treinamento escravo. Carlos é severamente contra as ideias do pai, ele se vê em um dilema pesado quando acaba por se envolver com um escravo fugitivo. Essa é uma sinopse muito superficial se comparada a profundidade das discussões que são levantadas no livro.

Quando eu comecei a ler eu já pensei, sendo critico além da conta 😄 “Não é possível esse cenário, a escravidão nunca se sustentaria em apenas um pais do mundo, o resto do mundo acabaria por intervir”, mas a autora me fez duvidar bastante disso, fazendo um estudo breve da política que se formou em torno da condição de escravidão, e como os produtos exportados eram muito mais baratos, e assim o Brasil ainda conseguia ter o apoio de diversos países no mundo. Isso me fez pensar em alguns países no mundo de hoje que exploram trabalhadores, conseguem itens muito mais baratos que o normal e ainda assim, todo mundo compra de lá, sem nem falar muito disso, será que existe algum pais assim? …

O governo brasileiro é autoritário, lembrando em vários momentos o período da ditadura militar. Não só negros são escravos, mas o preconceito é forte em todas as outras áreas, com homossexuais, com mulheres, etc. A censura também está presente controlando todos os aspectos culturais.

Negros inferiorizados, mulheres destinadas a empregos menores ou funções domesticas, homossexualidade sendo tratada como depravação. A autora manipula muito bem esses temas polêmicos, e consegue fazer um paralelo entre essa sociedade escravagista e a nossa, de uma forma que nos faz ver com clareza diversos problemas que enfrentamos, e quase não nos damos conta, como toda distopia de qualidade faz!

Algumas coisas me incomodaram no livro, uma delas foi a tentativa de explicação histórica do porque a escravidão continuou, que eu particularmente preferia que fosse ignorado ou tratado de forma mais vaga, deixando o próprio leitor ficar pensando o que poderia ter acontecido. E algumas cenas eu acho que se estendem demais, mas nada que comprometa a leitura.

Enfim, a Evelyn Postali nos deu uma distopia incrível, com as características que consagraram o gênero, e 100% brasileira. Se você é fã de distopias já famosas, como 1984 e Admirável Mundo Novo, vale a pena dar uma oportunidade para essa leitura.

 

Davenir    18/10/2016

Uma distopia onde a liberdade é apenas uma promessa
“Promessa de liberdade” é uma distopia nacional da escritora gaúcha Evelyn Postali. A estória se para em uma Realidade Alternativa onde o Brasil se torna uma grande potência econômica porém o sistema escravista nunca acabou, pelo contrário, tornou-se mais racionalizado e cruel. A narrativa é tensa e direta, tendo a liberdade como tema principal.

Nesse presente alternativo, o livro conta estória de Carlos, o filho mais novo da família Almeida Paes Leme, que vive afastado do pai, Fernando, um dos homens mais poderosos do país e dono da maior empresa comercializadora de negros escravizados. Após uma sabotagem de um grupo Abolicionista, Júlio, um dos cativos que consegue fugir encontra abrigo na casa de Carlos, que se vê obrigado a sair do comodismo e lutar pelos seus ideais, ou ser arrastado pela ditadura que domina o país. No desenrolar da estória, prevalece a tensão, desconfiança e afeto mútuos entre Carlos e Júlio e, também com seus familiares e amigos da banda de Rock que faz parte.

Uma distopia onde a liberdade é apenas uma promessa
Evelyn reconstrói um presente alternativo ao mesmo tempo absurdo e sólido. E se o Brasil ainda existisse escravidão? Há quase 3 décadas, a África do Sul ainda vivia o Apartheid e não muito antes disso, os EUA ainda mantinham leis abertamente segregacionistas, então o absurdo encontra pontos de contado com a mais terrível verdade nessa obra. Não é um livro para divertir pois a narrativa é direta e competente em passar a frieza desse mundo. A trama tem boas reviravoltas pois todos os personagens tem algo a esconder.
Os abolicionistas, são outro elemento que movimentam a estória, com um paralelo aos guerrilheiros da ditadura militar de 1964, sendo mais frágeis e, contra eles, a tecnologia da vigilância atual trabalhando contra qualquer ato de rebeldia. Tecnologia aparece apenas para mostrar a racionalização do sistema escravista, bem adaptado a economia de mercado atual. Ainda que nada disso esmiuçado, cumpre a função de mostrar a frieza desse mundo afetando as relações de Carlos, esse sim, o foco central da trama. A única coisa que senti falta foi de mais personagens negros além de Júlio.

A edição é bem caprichada. Tem uma arte muito bonita nas páginas que dividem cada uma das três partes, no prólogo e epílogo. Nota-se cuidados com o livro não param no texto bem escrito da autora. A leitura está mais que recomendada.

Acesse o site de Davenir:AQUI

Ben Oliveira     01/10/2016

Liberdade ou prisão?
O livro Promessa de Liberdade não é uma leitura para quem procura uma viagem sem turbulências e depois voltar para casa relaxado, com os pés para o alto, a respiração calma e o coração tranquilo. A autora brasileira Evelyn Postali escreveu um romance de realidade alternativa que se passa em um Brasil em que a escravidão dos negros não acabou e outras minorias são oprimidas. Neste momento em que vivemos de polarizações e radicalismos, nada como uma dose de literatura para nos fazer mergulhar no assombroso terreno da imaginação. Enquanto algumas histórias começam com “era uma vez”, outras se criam a partir do “e se” e estas, nem sempre terminam com um final feliz.

A obra disponível no formato físico no Clube de Autores e em formato de eBook na Amazon é o segundo romance publicado pela escritora, logo após a publicação de Trilhas de Silêncio. Desde o prefácio do livro, somos avisados pelo escritor Alfer Medeiros sobre a força de Promessa de Liberdade, que é capaz de incomodar e emocionar. “Não espere alívios cômicos ou ações hollywoodianas neste livro. Aqui prevalecem a aspereza e o sabor amargo que um Brasil escravagista contemporâneo pode oferecer em doses maciças… Que Promessa de Liberdade deixe muitas sementes de reflexões em sua mente, pois o questionamento inconformado é o combustível desta história – e toda ficção tem raízes fincadas na realidade que nos cerca”, alerta Alfer.

O romance foi dividido em três partes e a cada início a autora nos brinda com uma epígrafe que se encaixa muito bem com a trama, lançando algumas reflexões que complementam à narrativa, como esta do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre: “Viver é isso: ficar se equilibrando o tempo todo entre escolhas e consequências”. Escrever sobre liberdade é sempre algo complicado, principalmente quando se trata de uma história com uma dose de distopia. Quem poderá dizer que é completamente livre? Quantas amarras visíveis e invisíveis fazem parte da condição humana e persistem com o passar dos séculos? Seja no real ou na ficção, pensar na escravidão é algo ainda inquietante, que nos remete ao período sombrio da história brasileira… Agora, pense como seria nosso país se a escravidão não tivesse sido abolida.

“Homens são livres, nascem livres. E histórias podem ser mal contadas… Nossa condição humana advém da liberdade. Liberdade de ir e vir, de viver, de nascer, ou morrer, de cultuar um Deus, mais de um, ou nenhum. Liberdade de estudar, amar, casar”.

Narrado em terceira pessoa, desde o primeiro capítulo o leitor é transportado para uma das manifestações que acontece em Curitiba, em que líderes de um movimento marchavam pela justiça e igualdade, data que lembrava a morte de Isabel I e marcava o fim da esperança no final do século XIX da assinatura da lei que determinaria o fim da escravidão. O cenário é noticiado de forma velada pela mídia e logo acaba se dissipando entre notícias do cotidiano. Deste plano geral, vamos saltando pelos quadros dos personagens e vivenciando seus contextos que diante de tantas injustiças sociais podem nos tirar da zona de conforto e despertar emoções, como a empatia e a raiva.

O personagem principal da história se chama Carlos. Filho de uma das famílias mais poderosas e que era à favor da escravidão, ele não concorda com os pensamentos do pai e tenta viver de forma autônoma, se dedicando à paixão pela música. Mesmo sendo branco, ele acredita que a liberdade deveria ser um direito de todos e tenta discretamente se envolver com o movimento abolicionista, seja ajudando a compor canções ou acompanhando os eventos em que escravos podem ser levados por seus donos.

“A sociedade brasileira, acostumada à escravidão dos negros, há alguns poucos anos aceitara a escravidão imposta às minorias contrárias às leis cada vez mais rígidas e a religião predominantemente católica, mas à mercê da benevolência do Estado. Índios, ateus, homossexuais e praticantes de outras religiões e cultos viviam na obscuridade, aventurando-se nas relações, temendo serem descobertos e aprisionados sem qualquer oportunidade de defesa, torturados e mortos muitas vezes, esquecidos nas prisões especiais. Pessoas comuns, cujas vontades limitavam-se pelo fanatismo nacionalista, esqueciam-se da vontade própria”.

A trama começa a se movimentar quando um escravo cruza o caminho de Carlos. Colocando a segurança dos dois em perigo e, ao mesmo tempo, estreitando seus laços. Quanto mais Carlos se envolve com o escravo, mais ele conhece sobre a realidade do outro e tem certeza de que não quer ser como o pai escravagista. Embora os amigos de Carlos saibam de sua posição ideológica, há segredos que ele tenta manter deles, pois podem custar sua vida. Neste jogo de ocultamentos e revelações, cada vez mais o leitor se afunda em um terreno instável, assim como são as dinâmicas de poder.

À medida que outros personagens vão se inserindo na história e nos tornamos familiares com seus vícios e virtudes, mais percebemos que a luta de Carlos e dos que querem abolir a escravidão não é tão solitária, porém não deixamos de notar como a força da repressão pode ser capaz de envenenar mentes e corações. A verossimilhança dos personagens e as descrições desta sociedade doente são impactantes, afinal, difícil é não associá-los às pessoas e cenários idealizados por muitos preconceituosos e extremistas.

A linguagem do romance é bem direta. A premissa deste universo repressor acaba se espelhando na narrativa. Em um mundo em que artistas são silenciados, pessoas são condenadas por causa do tom de sua pele, livros são proibidos, homossexuais são considerados invertidos, mulheres são submissas e os homens no poder são os únicos que têm voz, falta, propositalmente, espaço para a sensibilidade poética e as múltiplas faces da arte tão bem exploradas pela autora em seu outro romance. Promessa de Liberdade é aquele tipo de leitura que nos dá um aperto no peito, nos tranca a garganta e soca a alma. Plantar esperança em um campo de flores cinzentas e destruídas pode ser a salvação de alguns personagens, mas é a condenação de outros. O que esperar de uma sociedade que silencia dores, amores e vozes?

“Não tenho nada aqui… Também sou escravo, apesar de ser branco. Não tenho liberdade para ser o que sou, ou para amar, ou falar o que penso. Não acredito nessa sociedade cuja base econômica é a escravidão e a desigualdade. Você, mais do que ninguém, sabe disso. Nasceu escravo. Seus pais foram escravos. Você é igual a tantos outros, massacrados nas fábricas, ou servindo de cobaia em laboratórios, ou arriscando a vida nos serviços mais perigosos. Faz parte desse jogo organizado para iludir as massas”

Evelyn Postali soube muito bem apertar a ferida em Promessa de Liberdade. Se é leveza que o leitor espera encontrar, que não se deixa levar pelo título. Enquanto algumas obras de ficção exploram o terror de criaturas sobrenaturais, outras são como espelhos dos demônios que carregamos dentro de nós. Em alguns minutos de imersão, impossível não se colocar na pele dos personagens e não viver aqueles momentos sombrios – ou pior ainda, cair na tentação de imaginar um futuro não tão otimista que nos espera. Do inconfortável teatro dos relacionamentos familiares até as correntes literais, acompanhamos a jornada de dois homens marcados por suas identidades, desejos e cicatrizes. Um romance que nos faz pensar sobre a liberdade fugaz e a importância dos direitos humanos e como o destino do brasileiro seria bem mais problemático do que o atual caso a Lei Áurea não tivesse sido assinada.

Acesse o site do Ben: AQUI

spoiler

Claudia Mina    18/07/2016

A luta pela liberdade de ser humano
A realidade é alternativa, mas não deixa de descrever um cenário bem plausível caso a escravidão não tivesse sido abolida no Brasil. Todo o processo de criação da realidade do livro é bem detalhado, com explicações sobre a sociedade brasileira escravocrata, a política nacionalista, as rígidas leis, a cultura da falsa moral, a posição do país no mundo (com os outros países repudiando a economia baseada na exploração do trabalho escravo). Tudo é muito bem descrito, situando o leitor no contexto em que a história se passa. Eu gostaria muito de parabenizar a autora por ter elaborado um cenário tão rico para a história.
O texto é bem fluido, uma narrativa com um ritmo bom e constante. Em nenhum momento a leitura se torna cansativa e há sempre aquela vontade de continuar lendo mais e mais e descobrir o desenrolar da história. Não há o que se discutir na qualidade do texto e na maturidade e segurança que a autora demonstra em sua escrita.
Temas de extrema importância são retratados, como o preconceito étnico, a posição da mulher na sociedade e a orientação sexual. O leitor consegue ver a luta e o as dificuldades daqueles que são considerados “diferentes” e “inferiores”. O preconceito e intolerância mostrados no texto são muito semelhantes ao que vivemos hoje em dia.
Uma questão que me chamou muito a atenção é a humanidade. A maneira que os escravos são tratados – com todas as torturas, sofrimentos, humilhações e lavagem cerebral –, faz com que eles percam a humanidade. Os escravos são tratados como objetos, não como pessoas. É interessante ver a recuperação de Júlio como pessoa, quando ele começa a trilhar o caminho para a liberdade, ele vai recuperando a humanidade que lhe foi roubada. Outro ponto interessante é que em certo momento, Carlos e Júlio começam a andar por caminhos opostos. Enquanto um vai ganhando a liberdade o outro vai cada vez mais se afundando na escravidão, sendo que no final, eles estão em situações totalmente opostas. É interessante ver o processo em que Carlos vai perdendo essa humanidade, desde a prisão, passando pelas torturas e trabalho forçado, até a escravidão. Com a perda da família, dos amigos, da carreira e de Júlio, ele vai sumindo como pessoa. É um processo bem triste, e mais triste ainda por ser real. O que impressiona é que por mais que o livro seja uma ficção, ele é muito real. Situações como essas de escravidão, perda dos direitos humanos e preconceitos são vividas todos os dias por muita gente, sempre foram e, infelizmente, é possível que sempre serão vividas. Eu acho que de todas as mensagens passadas pelo texto, uma das mais importantes é a reflexão sobre a humanidade, um alerta para que tenhamos um pouco de consciência do que se passa pelo mundo, para que sejamos mais humanos e pensemos mais no outro.

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