Dia Nacional do Livro

Não fosse pela falta de comida, não fosse pela falta de trabalho, não fosse pela falta de salário digno, não fosse pela falta de escola, não fosse pela falta de água, não fosse pela falta de saúde, não fosse pela falta de saneamento básico, não fosse pela falta de conforto, não fosse pela falta de diversão, não fosse pela carência de tudo, livros seriam necessidade básica, feito o ar que respiramos todos os dias, a encher nossos pulmões de vida. Se ao menos vivêssemos e não somente sobrevivêssemos nessa economia avessa a qualquer tipo de igualdade social, esse dia não passasse tão alheio à maioria.

Hoje não tem micro…

Hoje não tem micro…

Eu tenho uma organização mais ou menos certa para as publicações do blog. Segundas, quartas e sextas, normalmente, exercito minha micro escrita. De quinze em quinze dias, quando desenvolvo um texto aceitável, publico um miniconto. Algumas raras vezes, um poema … Continuar lendo

Convite!

Amanhã, 19 de outubro, às 20h, pelo Instagram, live com os finalistas do IV Prêmio Aberst de Literatura.

O Castelo da Lua – Miniconto

O Castelo da Lua – Miniconto

O CASTELO DA LUA Ao pé da colina, na beira do precipício, bem ao sul do território,  Valjean, ainda criança, viu o pai construir um castelo. Uma década dedicada ao palácio. Arquitetos e pedreiros do reino fizeram subir a edificação … Continuar lendo

Divulgação

Divulgação

Esse ano, o coletivo literário AS CONTISTAS organizou uma segunda seleção, dessa vez em prosa e verso. Assim como o primeiro livro MULHERES EM VERBO, baseado em um verbo, nessa nova seleção, cada uma de nós escolheu um. Você pode … Continuar lendo

WordTober/InkTober – Uma parceria!

Desde 2018 participo de um desafio, o INKTOBER. Esse ano, soube que existe um WORDTOBER! Fantástico isso! Ideia maravilhosa de exercitar a escrita com palavras aleatórias, seguindo o InkTober.

A palavra do dia 8 é WATCH – assistir.

Apresento aqui, a parceria com o @pecruvinel. Confere os minicontos escritos clicando no nome e conheça outras publicações do autor e roteirista.


“WORDTOBER2021 • DIA 8 • ASSISTIR
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Hoje o conto é em parceria com a linda e talentosa @evelynpostali, que está participando do #inktober como ilustradora. Eu amei muito fazer esse trabalho com ela!
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O texto do wordtober de hoje foi publicado nas imagens desta postagem. Termine de rolar carrossel para descobrir como a história termina.
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O wordtober é um desafio de escrita (baseado no desafio de artes (#inktober) que convida a escrever algo baseado em uma palavra por dia durante todos os dias do mês de outubro. O perfil oficial do desafio é o @wordtober.br. A curadoria brasileira do WordTober desse ano é de @je_omega@poemasinstaveis e @athushenry. Esse desafio foi-me feito pela colega @massaepoesia, que também está participando.
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Este jovem escritor latino americano que vos fala decidiu fazer o mesmo, só que me auto desafiando a escrever 31 minicontos dentro do meu gênero favorito nesse mês. E, meu Paimon, como estou animado para mostrar o que venho preparando pra vocês! Outubro chegou, criaturinhas!”
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Histórias Fantásticas (5)

Textos criados a partir de imagem. Minicontos.

ALMIRA

Quando Almira adoeceu, pareceu um dia sem fim, apesar do cheiro de primavera. No último suspiro dado por ela, as nuvens despencaram do céu no final da tarde. Depois, a cor púrpura tomou o horizonte e foi se misturando com o cinza e abriu o céu. Logo que fecharam seus olhos, as luzes do firmamento salpicaram o chão nas ruas onde ela costumava passar e ergueu-se um pó dourado e ele subiu, subiu, como sobe o sol  no horizonte.

Quando juntaram suas mãos, Almira abriu os olhos. Sentiu brotarem asas de suas costas cansadas e o vento abriu as portas e janelas, esvoaçando as cortinas e surpreendendo os que estavam ao seu redor. Almira saiu pela janela e encantou-se com os luzeiros. Estavam por toda a parte, fora e dentro dela, e só percebeu estar no alto quando se deu por conta da leveza do corpo e da ausência de chão.

A estranheza de flutuar se dissipou ao encher os pulmões daquele ar de vida e de mundo, de mãos dadas e estradas, e as asas moveram-se como as dos pardais. As lembranças caíam de seus olhos e construíam uma escada rumo ao infinito. Almira foi pisando leve e seguindo para além quando ouviu Mariela lá embaixo.

“Mira!”, agitava as mãozinhas no ar. “Mira!”

Do meio da ruela, a pequena a chamava, meio encantada, segurando riso e lágrima, meio com medo, já com o peito apertado, meio vazio. Era assim, então? Meio triste, meio lindo?

Almira olhou-a e sorriu como sempre.

“Não esquece de mim, Mira!”

Do alto, a tia acenou e seguiu escada acima até desaparecer.

ALMIRA

When Almira fell ill, it seemed like an endless day, despite the smell of spring. With her last breath, clouds plummeted from the late afternoon sky. Then the purple color took over the horizon and mixed with the gray and opened up the sky. As soon as they closed her eyes, the lights of the firmament splashed the ground in the streets where she used to pass, and a golden dust rose and it rose, and it rose, it rose as the sun rises on the horizon.

When they joined their hands, Almira opened her eyes. She felt wings sprout from her tired back and the wind opened the doors and windows, fluttering the curtains and startling those around her. Almira went out the window and marveled at the lights. They were everywhere, outside and inside her, and she only realized that she was on top when she noticed the lightness of the body and the absence of ground.

The strangeness of floating dissipated as he filled his lungs with that air of life and the world, hand in hand and roads, and the wings moved as sparrows did. Memories fell from her eyes and built a stairway to infinity. Almira was stepping lightly and moving beyond when she heard Mariela downstairs.

“Mira!” She waved her little hands in the air. “Mira!”

From the middle of the alley, the little girl called her, half enchanted, holding back laughter and tears, half afraid, her chest already tight, half empty. Was it like that, then? Kind of sad, kind of beautiful?

Almira looked at her and smiled as always.

“Don’t forget about me, Mira!” From above, the aunt waved and continued upstairs until she disappeared.

CORAÇÃO SOLITÁRIO

Elmut  participava das brincadeiras quando criança. Na convivência com os outros pequenos, costumava entregar-se ao riso e à fantasia. Inventava histórias, corria, e conquistava a simpatia de quem o tivesse por perto.

Durante sua adolescência, atento aos ensinamentos dos alquimistas sobre a natureza e seus elementos, dos menestréis sobre as composições musicais e instrumentos, dos clérigos sobre a escrita e suas interpretações, questionava e buscava saber sempre mais. De sua mãe aprendeu sobre etiqueta e organização doméstica. De seu pai aprendeu que para governar um reino do tamanho daquele que possuía era preciso estar atento à justiça desde as questões mais simples até aquelas que exigiam esforços diplomáticos mais complexos.

De Neuen… Bem… De Neuen aprendeu sobre tristeza, traição, mentira e solidão, e entrou na maioridade resistindo à pressão da família e da corte em encontrar a verdadeira alma gêmea.

Coroa, cetro e medalhão da Ordem, ao assumir o trono, ordenou ao melhor ourives de Azálion a construção de um cofre em ouro, em formato cúbico, ornamentado com pedras preciosas. Deveria possuir, nas paredes laterais, desenhos de estrelas, corações, flores e arabescos em baixo-relevo, com pérolas, madrepérolas, quartzos e águas-marinhas. A parte superior deveria ser uma cúpula adornada por diamantes, esmeraldas, safiras, rubis e pérolas formando uma espécie de jardim – rosas, borboletas e pássaros; a porta, dividida em duas partes, com um enorme coração carregado de arabescos, igualmente dividido – metade para a direita, metade para a esquerda. Era imperioso que tal coração tivesse em sua composição rubis, granadas, topázios imperiais e ametistas de vários formatos e tamanhos; ao redor, uma moldura de turquesas e opalas. Não era necessária uma fechadura, apenas duas alças em ouro e na parte interna forro acolchoado em veludo vermelho.

 O cofre ficou pronto um dia antes de um grande evento entre os reinos, evento planejado e imposto pela mãe, para que o filho escolhesse quem se sentaria a seu lado no trono.

Nos aposentos, minutos antes do encontro, Elmut guardou seu coração dentro do cofre.

LONELY HEART

Elmut participated in the games as a child. In living with the other little ones, he used to indulge in laughter and fantasy. He made up stories, ran, and won the sympathy of anyone who had him around.

During his adolescence, attentive to the teachings of alchemists on nature and its elements, of minstrels on musical compositions and instruments, of clerics on writing and its interpretations, he questioned and always sought to know more. From his mother he learned about etiquette and household organization. From his father he learned that to govern a kingdom the size of his own, he had to be mindful of justice from the simplest issues to those that required the most complex diplomatic efforts.

From Neuen… Well… From Neuen he learned about sadness, betrayal, lying and loneliness, and came of age resisting the pressure of family and court to find his true soul mate.

Crown, scepter and Order’s medallion, upon assuming the throne, he ordered the best goldsmith of Azalion to build a vault of gold, cubic in shape, ornamented with precious stones. It should have, on the side walls, drawings of stars, hearts, flowers and arabesques in bas-relief, with pearls, mother-of-pearls, quartz and aquamarine. The upper part should be a dome adorned with diamonds, emeralds, sapphires, rubies and pearls forming a kind of garden – roses, butterflies and birds; the door, divided into two parts, with a huge heart laden with scrolls, equally divided – half to the right, half to the left. It was imperative that such a heart had in its composition rubies, garnets, imperial topazes and amethysts of various shapes and sizes; around, a frame of turquoise and opals. No lock was required, just two handles made of gold and a red velvet padded lining inside.

The vault was ready the day before a great event between the kingdoms, an event planned and imposed by his mother for him to choose who would sit beside him on the throne. In the chambers, minutes before the meeting, Elmut kept his heart inside the vault.

Créditos das imagens: Evelyn Postali

Poema

Créditos da imagem: Evelyn Postali

Prepare o dia, uma manhã plena.
Prepare o altar em almas peregrinas,
À soma de nossos cantos,
Nobres vozes em saudação.
Que ninguém duvide de nossa descrença
Ou de nossa religião,
Porque a vida, tomamos como longa,
Em depósitos, em migalhas.
Prepare o dia, a manhã não falha.
Prepare o altar em sinal de salvação
De corações solitários e estranhos,
A buscar a segurança da oração.
Que ninguém exija exíguas mortalhas
Ou graças de absolvição,
Porque a vida nos joga de volta
Contra nossas próprias muralhas.