Esperança – Miniconto

Créditos da imagem: Evelyn Postlai

Esperança juntava as mãozinhas, fechava os olhos, entrava e ficava imóvel durante oculto. Sua mãe, ao lado, achava estranho, a atitude, o jeito tão ingênuo, o balbucio de palavras incompreensíveis, mas adorável de qualquer modo. A menina não saia de tal posição até terminar a cerimônia. Era quando caminhava em direção à porta de olhos fechados, assim como entrava, guiada pela mão da mãe.

Isso repetiu-se até o clérigo notar a presença da pequena. Ao final de uma missa, aproximou-se de ambas, em meio ao burburinhos dos fiéis.

Perguntada, a mãe lhe falou que não compreendia o que a filha falava, mas que sua atitude era louvável, uma vez que ainda não se expressava com clareza, pela pouca idade.

Ao perceber os olhos da menina ainda fechados, o padre tocou-lhe as mãozinhas, chamando por seu nome. Foi quando Esperança abriu os olhos e a luz se espalhou. Cegou o vigário, a mãe, as pessoas ao redor. Os anjos e santos despencaram dos nichos. A cruz do altar central tombou. O chão engoliu a igreja e as casas do entorno.

Só ficou Esperança à céu aberto, cercada de um grande abismo.

(Exercício de escrita – texto baseado em imagem)

3 pensamentos sobre “Esperança – Miniconto

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