Oráculo – Miniconto

Créditos da imagem: Evelyn Postali

Quando Augusto Coelho comprou a propriedade, buscava sossego e distância do barulho da cidade. A casa, embora centenária, mantinha-se conservada e não exigiu grandes restauros. Os jovens legatários desfizeram-se da herança por conveniência. Moravam longe e não possuíam condições financeiras de manter a propriedade, uma extensão de mil hectares no coração daquelas paragens.

“A fonte de pedra já existe há uma eternidade”, afirmaram os herdeiros do antigo dono.

Instalou uma bancada de madeira próxima da árvore, bem em frente à fonte. Renovou o jardim e a grama. E passou a frequentar o espaço, carregando seus livros e rabiscos.

Amor é ó rio claro das delícias
Que atravessa o deserto, a veiga, o prado,
E o mundo todo o tem!
Que importa ao viajor que a sede abrasa,
Que quer banhar-se nessas águas claras,
Ser aqui ou além?

A figura emergiu da fonte em um entardecer, enquanto Augusto recitava para os pássaros, fazendo-o saltar do banco, caindo de costas.

“Pergunte e terás a resposta”, a figura não movia os lábios, embora ele a ouvisse.

Foi assim, desvendando os segredos, que se tornou dono de metade das propriedades da cidade e dirigente das vidas de mais de três centenas de seus poucos habitantes.

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