Despedida (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Com um olhar suplicante, mas impotente, ele a viu partir. Ela jogou um beijo discreto e acenou da janela. Seguiu a pé da rodoviária para casa, tentando acalmar a revolução que bagunçava por dentro todos os sonhos e planos. Agora, tudo por dentro era meio cinza, feito um terreno baldio. A única coisa que restava era a lembrança do sabor do beijo de Isabela, parecido com o mel das abelhas criadas junto a plantações de assa-peixe.

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Microcontos 61-65

Microcontos 61-65

61 Alice e Lewis conheceram-se naquele pub de Oxford – The Eagle and The Child. Indicação do amigo João Ronaldo. Depois daquela noite, entre lençóis, salsa caribenha e samba, decidiram seguir para Sydney. A intenção era ver cangurus.   62 … Continuar lendo

Folhetim (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Perseguido, rastejou-se para perto do anêmico riacho pedindo perdão. Sentia a pele feito manga chupada até o osso. O cavalo não resistira. Morrera quilômetro atrás, na secura da caatinga. A sede se igualava ao medo quando o sol foi encoberto pela sombra do cangaceiro mais temido da região. Olhar para a mulher do sujeito na vendinha local selara seu destino.

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Microcontos 56-60

Microcontos 56-60

56 Ela comprara um sistema computadorizado para a vassoura. Não perderia mais o rumo. Esperar pela entrega era um martírio, mas fazer o quê? Tentaria se distrair com a nova receita. Cortaria o morcego, tiraria a pele da cobra e … Continuar lendo

Microcontos 51-55

Microcontos 51-55

51 Adiantava a hora do despertador. Não conseguia livrar-se da pressa. Ela se aconchegava junto a ele todas as noites. 52 Vida mansa. Essa era a melhor política. O bisavô, a quem chamavam de Marquês, lhe diria: não chore pelo … Continuar lendo

Encantamento

Encantamento

Os irmãos observavam o ritual. A Saraipora conduzia o andor de cipó adornado com algodão e fitas, repleto do simbolismo religioso. Significados de mais de trezentos anos na região. Seguia pelas ruelas da vila acompanhada pelo juiz e juíza, mordomos … Continuar lendo

O Encontro

O Encontro

Eu caminho apressado, frenético. Não percebo a largura de minhas passadas e sim o formato dos seixos correndo debaixo de meus pés. Pedras irregulares a mostrar o desalinho da minha vida, ou daquela que eu tivera. Molhadas da chuva, elas … Continuar lendo

Poço das Almas

Poço das Almas

    Procura-se coveiro com 2°grau de escolaridade completo, para enterrar mortos e realizar serviços adicionais, com básico de R$ 1500 mensais. A saber: o referido cargo não exige conhecimento imediato, mas acrescenta adicional se houver comprovação de experiência com inumações, … Continuar lendo

Microconto matinal

Ela se apaixonou pelo intelectualismo dele. Alfredo era quase Deus na terra. Quando ela se muniu de estudos e especializações para acompanhá-lo, descobriu que, do espírito e da inteligência, o amado só tinha pose. A intelectualidade era tão falsa quanto as teorias formuladas com o nome de outros.

Conformou-se com o erro de escolha, mas dispensou a companhia dele em um café da manhã.

A Guardiã

A Guardiã

Amazônia do Norte, Território BR, Ano 58 do 3º Milênio — Pai… Diz o nome do lago de novo? — Iacy Uaruá. — Espelho da Lua… — Isso, filha. Espelho da Lua. — Eu estava mesmo perto do lago, na … Continuar lendo

Resenha

Resenha

  Resenha muito bacana de Trilhas de Silêncio feita pela Thaís Oliveira do Blog Coração de Leitora, publicada também no Blog Doce Leitura. Para ler a resenha, clica AQUI. Créditos das imagens: Thaís Oliveira.

Desapego (Evelyn Postali)

Olhava para as uvas penduradas. Para a água depositada em algumas folhas. O pingo preso ao último grão do cacho. Da vidraçaria, enquanto observava o parreiral nos fundos da casa do morador do meio da quadra contabilizava o sustento. Tudo na ponta do lápis. A matemática era simples.

Micro Estórias

Olhava para as uvas penduradas. Para a água depositada em algumas folhas. O pingo preso ao último grão do cacho. Da vidraçaria, enquanto observava o parreiral nos fundos da casa do morador, do meio da quadra, contabilizava o sustento. Tudo na ponta do lápis. A matemática era simples.

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Desapego (Evelyn Postali)

Olhava para as uvas penduradas. Para a água depositada em algumas folhas. O pingo preso ao último grão do cacho. Da vidraçaria, enquanto observava o parreiral nos fundos da casa do morador do meio da quadra contabilizava o sustento. Tudo na ponta do lápis. A matemática era simples.

Fonte: Desapego (Evelyn Postali)

(Publicado originalmente no grupo Entre Contos do Facebook)

Manobra (Evelyn Postali)

Perceberam estar no âmago da nuvem de gás. A descoberta daquele ponto central limpo, sem turbulência serviria para estabilizarem o sistema. O momento era delicado. O engenheiro estipulara uma abord…

Fonte: Manobra (Evelyn Postali)

Capítulo Final (Evelyn Postali)

Enquanto escrevia o capítulo final, o cheiro almiscarado perpetuou a lembrança da visita à catacumba do pai. Em gesto iracundo, totalmente avesso ao que pretendia, matou outra vez. Dessa feita, o p…

Fonte: Capítulo Final (Evelyn Postali)