Microconto

Microconto

  — O que diremos? — Olhos amedrontados falavam bem mais alto que a voz trêmula. — A verdade, Patrick. Ele pegou a trilha do desfiladeiro. Nós pegamos a trilha da montanha. Esperamos por ele na cabana. Ele não apareceu. … Continuar lendo

Microconto

Microconto

Não se contentou com a missão que lhe tinha sido dada por Noel. Ficar entre as enciclopédias era um tédio para um elfo feito ele. Ao avistar o grupo de anões passando, não hesitou. Caiu na gandaia. Passou o Natal … Continuar lendo

Microconto

Microconto

Cada coluna erguida, arco construído, ou detalhe profano que materializava, fazia da profissão um ritual. A esperança de realizar o maior e mais ambicioso sonho ressurgia a cada novo detalhe do projeto. Como arquiteto e homem além de seu tempo, … Continuar lendo

Microconto

Microconto

Ao passar pelo cruzamento avistou a encomenda. A garrafa, dando mole. Cachaça grátis. As flores, levaria para a mulher, para compensar a hora. Antes de tomar rumo, porém, por desencargo de consciência, rabiscou a mensagem no concreto do muro, usando … Continuar lendo

Contemporâneo (Evelyn Postali)

O ilegítimo invadiu o castelo com a Plenitude nas mãos. A esperteza era a lei, era sua espada. Ele não renunciaria. Quem quisesse adoçar a vida com a leveza da verdade, que ocupasse outras terras, que se mudasse. O povo que aguentasse o peso negativo do golpe, o açoite escancarado da corrupção, o corte da guilhotina das mudanças.

Fonte: Contemporâneo (Evelyn Postali)

Número

Número

  Disfarçou um olhar sereno e pronunciou um ‘sim’ quase calado. Não tiraria aquele sapato por nada. O pé que aguentasse com humildade o aperto insuportável e frio do cristal. A sofreguidão não duraria para sempre, afinal, estava se casando … Continuar lendo

O poder do Amor

O poder do Amor

O gambá morreu ao salvar a fêmea e a prole do atropelamento. Chegando ao Céu, bateu na porta de forma humilde.  Na terra, tão desprezado, encolhia seu espírito, apesar de não se envergonhar da origem. O moço que abriu o grande portão olhou-o … Continuar lendo

Número (Evelyn Postali)

Número. Microconto. 5 palavras.

Micro Estórias

Disfarçou um olhar sereno e pronunciou um ‘sim’ quase calado. Não tiraria aquele sapato por nada. O pé que aguentasse com humildade o aperto insuportável e frio do cristal. A sofreguidão não duraria para sempre, afinal, estava se casando com o príncipe.

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Despedida (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Com um olhar suplicante, mas impotente, ele a viu partir. Ela jogou um beijo discreto e acenou da janela. Seguiu a pé da rodoviária para casa, tentando acalmar a revolução que bagunçava por dentro todos os sonhos e planos. Agora, tudo por dentro era meio cinza, feito um terreno baldio. A única coisa que restava era a lembrança do sabor do beijo de Isabela, parecido com o mel das abelhas criadas junto a plantações de assa-peixe.

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Folhetim (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Perseguido, rastejou-se para perto do anêmico riacho pedindo perdão. Sentia a pele feito manga chupada até o osso. O cavalo não resistira. Morrera quilômetro atrás, na secura da caatinga. A sede se igualava ao medo quando o sol foi encoberto pela sombra do cangaceiro mais temido da região. Olhar para a mulher do sujeito na vendinha local selara seu destino.

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Manobra (Evelyn Postali)

Perceberam estar no âmago da nuvem de gás. A descoberta daquele ponto central limpo, sem turbulência serviria para estabilizarem o sistema. O momento era delicado. O engenheiro estipulara uma abord…

Fonte: Manobra (Evelyn Postali)

Capítulo Final (Evelyn Postali)

Enquanto escrevia o capítulo final, o cheiro almiscarado perpetuou a lembrança da visita à catacumba do pai. Em gesto iracundo, totalmente avesso ao que pretendia, matou outra vez. Dessa feita, o p…

Fonte: Capítulo Final (Evelyn Postali)

Chá? (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Ouviu a campainha. “Hora de zarpar…”, lembrou-se da viagem. “Quando mesmo?” Levantou com a ressaca martelando. Calçou as pantufas. Abriu a porta e apertou os olhos – inútil tentativa de proteger o cérebro da luz. O, até então, hipotético abominável homem das neves, estava diante dele. Fechou a porta, indeciso. “Do que mesmo era aquele chá?”

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Chá? (Evelyn Postali)

Ouviu a campainha. “Hora de zarpar…”, lembrou-se da viagem. “Quando mesmo?” Levantou com a ressaca martelando. Calçou as pantufas. Abriu a porta e apertou os olhos – inútil tentativa de prote…

Fonte: Chá? (Evelyn Postali)

Microconto policial

Microconto policial

O assassinato de Lola, a tartaruga espanhola, era uma salada de confusão envolvendo o delegado Cardoso, um jacaré vindo de Miami, e o promotor, seu rival, Vegas, uma lebre que se tornara famosa pela prisão de Ubino, o javali serial … Continuar lendo

Julgamento

Julgamento

Osíris, sentado ao trono, olhava para o Curupira à sua frente. A julgar pelo desequilíbrio constante da balança, não seria nada fácil. — Não sei de nada disso, não, senhor. Essa tal escatologia, aí. Coisa mais estranha de se dizer… … Continuar lendo