Conto

Conto

Depois de #longajornadanoiteadentro, vou #embuscadotempoperdido uma vez procrastinada a segunda-feira. Eu brinco comigo mesmo arrumando os livros na bancada frontal. — Bom dia, Jorge! Deu folga para o barbeador? Meu patrão, não é dos piores. Também não é de ficar … Continuar lendo

Conto

Conto

A ÁRVORE QUE EMOLDURAVA A LUA Felixiana morava numa casinha no pé do morro da Benedita, beijando o céu, perto do córrego do Boca. Um lugar nada propício para alguém que viajava o mundo nas páginas dos livros juntados no … Continuar lendo

Conto

Conto

Ninguém sabe precisar bem quando os homens começaram a nascer pelados. Pelados de cabelo, pelados de pelos. Não existia pentelho algum. Uma lisura única. Em todo o corpo. Pernas, axilas, virilha. As mulheres não. As mulheres continuavam com suas belas … Continuar lendo

Retrospectiva

Retrospectiva

2021 foi, sem dúvidas, muito mais controverso que 2021. Não vou me deter nos dissabores vividos. Quero, sim, tornar evidentes as realizações, especialmente na área de Literatura, onde entre exercícios de escrita e publicações consegui elevar os ânimos e afastar … Continuar lendo

O Taumaturgo – Um Conto de Natal

Vila de São Simão, RS.

23 de dezembro de 1910

Da pequena vila de São Simão até onde morava, Giuseppe precisava pedalar quinze quilômetros. Parte do trajeto na bicicleta, parte conduzindo o veículo, morro acima. Trajeto penoso, mas bonito de ver. Ladeada por capoeiras e lírios brancos, cajados de Giuseppe, naquela época do ano, lembrava-se de sua mãe e da devoção ao santo. Que Deus a tivesse ao lado Dele, sussurrava, e fazia o sinal da cruz.

Naquele começo de tarde, vencida a última subida, seguia com as ferramentas e os pregos enrolados em uma sacola de pano e alguns pedaços de madeira ajeitados com cuidado entre o guidão e o ferro do selim. Tentava não perder o equilíbrio naquela estrada estreita de terra e pedregulho.

Avistou o sujeito depois da curva e reduziu a velocidade. O homem alto, de barba mal feita, vestido com roupas simples, parou a caminhada e sorriu. Levava uma mala surrada e um saco às costas.

— Tarde!

— Boa tarde. — Educação ainda tinha um pouco, apesar da desconfiança inicial. Giuseppe balançou a cabeça em um cumprimento discreto. Não era nada comum encontrar negros ali pelas redondezas. — Tá perdido?

— Não. Só tô seguindo.

— Por esses lado não tem estrada que segue. Essa vai dá lá em casa.

— Acho que vô descansá debaixo duma árvore e vortá pro caminho quando refrescá, ou amanhã de manhãzinha.

— Melhor não. Não tanto pelos mosquito, mais pelas cobra. O calor faz elas saí. Tá andando faz tempo?

— Tô no trecho desde cedo.

Giuseppe, apesar de agricultor sofrido, verdade seja dita, mas procurava manter vivos os ensinamentos tanto da mãe quanto do padre. Apesar de não ter muita simpatia por gente de cor,  o sujeito parecia em pior situação:

— Pode descansá no porão de casa e segui de manhã cedinho.

— Carece não sinhô.

— Não é bom passá a noite no tempo.

— Se não trapaiá, aceito a oferta.

— Tem mais um caminho ainda pela frente. Como é teu nome?

— Nico. Nicolau de Jesus, o seu criado.

E nem bem terminou de responder, Giuseppe reconheceu a voz do filho mais velho o chamando.

— Pai! Pai! — O garoto corria e gritava.

Giuseppe largou a madeira e pedalou ao encontro dele. Nico recolheu as tábuas e seguiu na mesma direção.

— Pai!

A freada fez a poeira levantar.

— Que foi? — Largou a bicicleta e agarrou o menino pelos ombros. — Que aconteceu? Fala, piá!

O menino puxou o ar para refazer-se da corrida e o andarilho chegou a tempo de ouvir o final da conversa.

— Lucas não tá bem. Nem acorda. A mãe mandô encontrá o senhor.

Giuseppe deixou a sacola com o filho sem importar-se com coisa alguma. Em poucos instantes desapareceu depois da curva da estrada. O menino analisou o estranho de cima a baixo. Calado, jogou a sacola no ombro.

— Eu levo a madeira pro cê — o forasteiro sugeriu. — Como ocê chama?

— João.

— Muito bão, João. Vamo apressá o passo pra ajudá o seu pai. O que cê acha?

Com um sim pouco animoso, o menino seguiu em silêncio, sequer curioso por saber quem era o estranho. Vez ou outra, olhava-o de atravessado, mas apesar do ar receoso, seguia em frente. Se o sujeito estava com o pai, não tinha problema.

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Delírio – Evelyn Postali

“Que pode uma criatura senão

Entre criaturas amar”

Amar o ser deitado ao lado

E, no silêncio da madrugada,

A rua inteira acordar?

Quer ler essa história?

Então, clica AQUI e divirta-se!

Miniconto

CAPA MINICONTO JORGE

#Jorge foi escrito na Oficina Colaborativa do Estranho Mundo de Eric, em 2016. Essa oficina aconteceu sob a orientação de Eric Novello.

#Jorge é um conto diferente, experimental. Para ler, clica AQUI.

Vai lá! Lê e depois me diz o que achou dessa minha ideia maluca. Até!

As Necromantes

As Necromantes

Aideen nascera sob a lua da profecia. Ao tatear a última porção de sangue da taça, proferindo as palavras contidas no antigo livro de rituais e encantamentos, o calor percorreu os dedos e lhe tomou o braço. O corpo ardeu … Continuar lendo

Os Gigantes

Os Gigantes

“A gentle creak and a soft ‘whoosh’ as the sails zip past is all you hear when standing close to a windmill.” ~ A.D.¹ Deitado à sombra dos monstros de madeira, revivia a juventude. Parava o tempo, segurando uma das engrenagens. … Continuar lendo

Incondicional

Incondicional

Eu subo na bancada da janela lateral e espio pela fresta da cortina. O gramado é viçoso e a saída lateral do carro do meu patrão está fechada. A vizinha estende a roupa e vejo as crianças passarem com as … Continuar lendo

Time loop

Time loop

Eu caminho apressado, frenético. Não percebo a largura de minhas passadas, e sim o formato dos seixos a correr debaixo de meus pés. Pedras irregulares a mostrar o desalinho da minha vida, ou daquela que eu tinha. Molhadas da chuva, … Continuar lendo

Marialva e os homens pelados

Marialva e os homens pelados

Ninguém sabe precisar bem quando os homens começaram a nascer pelados. Pelados de cabelo, pelados de pelos. Não existia pentelho algum. Uma lisura única. Em todo o corpo. Pernas, axilas, virilha. As mulheres não. As mulheres continuavam com suas belas … Continuar lendo

Promessa

Promessa

ooh I needthe darkness,the sweetness,the sadness,the weakness,ooh I need this.Need a lullabye,a kiss goodnight,angel, sweet love of my lifeooh I need this¹ Irmãos caríssimos, reunimo-nos com alegria para participarmos nesta celebração… Sorrisos em faces serenas. Sorrisos e alegria. Lágrimas caindo … Continuar lendo

Quase Memória – Carlos Eduardo Simão

Quase Memória – Carlos Eduardo Simão

Quase Memória – conto de Carlos Eduardo Simão gentilmente cedido a esse espaço de escrita e leitura. Saudade Substantivo feminino. “Sentimento nostálgico e melancólico associado à recordação de pessoas ou coisas ausente, distante ou extinta, ou à ausência de coisas, … Continuar lendo

O Pêndulo

O Pêndulo

Para Lucas, cujo nome nunca ninguém lembrava, não tinha dia de folga. Dia e trabalho eram sinônimos. Todos os dias da semana, todos os meses do ano. Sem férias, nem folgas. Ele vivia todas as horas do dia. Cada minuto, … Continuar lendo

Nara

Nara

— Vem, Nara! Vem! — Ele a puxava pela camiseta, insistente. — Vem brincar! Vamos subir. Aquele garotinho, conquista recente do parquinho e dono de um sorriso irresistível, não tinha mais do que oito anos e ela, mesmo não sabendo … Continuar lendo

O Taumaturgo

O Taumaturgo

  Vila de São Simão, RS. 23 de dezembro de 1910     Da pequena vila de São Simão até onde morava, Giuseppe precisava pedalar quinze quilômetros. Parte do trajeto na bicicleta, parte conduzindo o veículo, morro acima. Trajeto penoso, … Continuar lendo