Desabafo

A irresponsabilidade, assim como a maldade humana, não tem limites. E a Lei nunca é para todos. Nesse país, perto ou longe de nosso umbigo, a Justiça é, literalmente, cega, feita só para alguns, quando não é, ela mesma, cúmplice do desrespeito e da criminalidade. Na balança há, sim, dois pesos e duas medidas. Estamos anestesiados, mergulhados em uma letargia venenosa, porque aceitamos, muitas vezes, absurdos como se fossem algo normal, coisa banal, contravenções inconsequentes. Fechamos os olhos, calamos nossa voz e cruzamos nossos braços. Merecemos cada insulto à nossa inteligência e ao que ainda há de humanidade em nós.

Poema

(Foto-manipulação; fotografia minha, modificada digitalmente)

Nesse tédio no qual me encontro,
nem as flores,
nem amores a sorrir me encantam.
Nem as vozes.
É um mal, uma constante dor,
um dissabor etéreo
de gosto estranho,
desabafo de terra e mar.
E, a fugir de mim o sopro eterno,
vai minha alma a cobrir tuas mãos amadas,
a manchar de tons funestos
o olhar, a boca avermelhada,
o bater de um coração,
em tempo,
ainda apaixonado.