Hoje não tem microconto…

Hoje não tem microconto…

Nesse post, mostrarei como é que eu transformo uma imagem qualquer em algo totalmente diferente. Já publiquei, aqui, sobre minhas preferências no trabalho das imagens – abstrações simétricas, mandalas, etc. Em cada imagem abaixo haverá uma transformação. Essa é a … Continuar lendo

Hoje não tem microconto…

Créditos da Imagem: Evelyn Postali

O trabalho com a fotografia não se resume em imagens puramente figurativas. Muitos artistas trabalham a fotografia como base de construção para outras imagens.

Eu gosto de trabalhar com a transformação das imagens. Muitas vezes, uma imagem comum pode se apresentar como uma possibilidade rica de construção. O processo de criação, no meu caso, é bem simples. Uma imagem qualquer, editada com filtros em algum programa de edição de imagem – PhotoScape, PhotoShop, Corel – se transforma em meu tema recorrente: mandalas ou formas ovais e circulares.

Abaixo, para vocês terem uma ideia, segue a foto original. É um copo-de-leite. É uma fotografia tirada sem qualquer filtro ou transformação, mas, na comparação com o resultado final, temos algo totalmente diferente.

Créditos da Imagem: Evelyn Postali

E aí, o que achou? Gostou do resultado da transformação?

Abraços a todos!

Oráculo – Miniconto

Oráculo – Miniconto

Quando Augusto Coelho comprou a propriedade, buscava sossego e distância do barulho da cidade. A casa, embora centenária, mantinha-se conservada e não exigiu grandes restauros. Os jovens legatários desfizeram-se da herança por conveniência. Moravam longe e não possuíam condições financeiras … Continuar lendo

Testemunha Ocular – Miniconto

Testemunha Ocular – Miniconto

Romualdo, era um observador da cidade e de seus habitantes. Sofia, sua esposa sempre o instigava a buscar novos passatempos depois do acidente que lhe privou das pernas. Em seus quase setenta anos, depois da partida da amada, abraçou a … Continuar lendo

Oto – Miniconto

Créditos da imagem: Evelyn Postali

Oto nasceu em um dia ensolarado e chorou até anoitecer. Depois, pegava no sono pela manhã, ao nascer do dia, quando os pais, exaustos, atracavam-se no batente.

Amava as frutas e quando criança, sua mãe admirava-se com seu paladar, muito diferente dos filhos de suas amigas. O tal ponto positivo contrabalançava os hábitos noturnos.

A rotina da casa foi alterada em função do pequeno. O pai, encontrou um trabalho noturno e a mãe, adaptou-se às exigências tornando-se produtora de eventos, compatibilizando horários.

Com ouvido absoluto, iniciou-se na música. Transposições de harmonias, desarmonias, composições além do mais contemporâneo. O professor admirou-se e, tempos depois, o discípulo superou o mestre.

Em sala de aula, dormia ouvindo a professora e a dificuldade de aprendizado diurno foi superada com aulas extraclasse no vespertino e noite, onde sua genialidade expandiu-se e superou o tempo escolar normal, entrando precocemente para a universidade.

Apesar de recluso, ganhou amigos também ‘estranhos’ aos olhos da sociedade. Vestiam-se de preto, pintavam os olhos, tatuavam o corpo. Separou-se da família ao completar 21.

Oto desapareceu em uma noite, no verão de 69, na beira de um rio, perto de sua cidade natal, onde o grupo acampava. Dos relatos colhidos pelos investigadores, o mais estranho foi de Rúbia. A moça afirmou ter visto Oto ser alçado pelo bando de morcegos e sumir na escuridão da floresta. Mergulhadores estenderam as buscas para além dos limites possíveis. Policiais e grupos auxiliares percorreram a extensão da floresta durante uma semana ininterrupta. Cartazes com a imagem de Oto ainda podem ser encontrados nas delegacias da região e em publicações de familiares e amigos.

Histórias Fantásticas (8)

O Castelo da Lua

Ao pé da colina, na beira do precipício, bem ao sul do território,  Valjean, ainda criança, viu o pai construir um castelo. Uma década dedicada ao palácio. Arquitetos e pedreiros do reino fizeram subir a edificação em tempo recorde e obreiros de várias partes dos territórios adjacentes completaram os detalhes.

O soberano planejou com minúcia cada uma das salas, passarelas, escadas, torres e muradas. Cozinha, biblioteca, quartos vazios exceto dois, localizados na torre mais alta. Pedras brancas sobre pedras brancas, certificou-se da vedação de cada cubículo, de cada passagem, tanto nos porões quanto nos andares superiores. Janelas gradeadas e adornadas em baixo-relevo em prata. As únicas janelas sem grades tinham vista para o mar e estavam na torre dos quartos mobiliados, mas sem saída a não ser para o abismo.

Uma porta pesada cuja tranca travaria após a primeira descida constituía-se único acesso ao castelo.

Na cobertura, firmou bandeiras brancas e totens adornados com a imagem da lua.

Do lado de fora, impôs um cercado de lanças com pontas de prata inclinadas 45° para dentro e para fora contornando cada lado do burgo. E, antes da barreira pontiaguda de aço, uma extensa área de espinheiros, sem qualquer estrada, sem qualquer brecha de passagem.

Valjean viu as árvores frutíferas de várias espécies crescendo no pátio interno. No centro, um jardim com acônitos, freixos e rododendros roxos e uma pequena horta com especiarias. Um galinheiro e um chiqueiro na ala mais afastada. Por noites a fio, observou seu pai enfeixar uma obra única com textos e relatos sobre o cultivo das espécies vegetais e sobre a criação dos animais, sobre o preparo de alimentos, sobre medicina caseira e organização doméstica.

Durante longos dez anos, o pai o ensinou a ler, tocar violão, cozinhar, cultivar os alimentos, falar os dialetos da região, misturar as ervas, entender o céu de cada estação, as fases da lua. No dia do décimo oitavo ano de Valjean, o soberano fez descer a pesada porta, trancando-se no castelo com o filho. Subiu ao terraço e sentou-se com ele em meio aos totens esperando a lua cheia crescer no horizonte.

O Escudo de Nirmud

Naquele tempo, o reino era desmilitarizado, desprovido de exército e ganância. O único combate aceitável era o combate à fome que, em época de seca ou enchente, destruía os sonhos de uma sociedade justa e evoluída. Por esse motivo, as mãos de Nirmud plantavam os grãos, curavam os doentes, caçavam e escreviam as leis dos antigos. Nenhum outro cidadão tinha tanto prestígio quanto ele, o predestinado.

Foi difícil conviver com a guerra cósmica, trazida por exércitos desconhecidos, rasgando a terra e criando feridas profundas. Foi igualmente difícil ver seu pai e seus irmãos morrerem sob espadas faiscantes que jamais manuseara. Nirmud correu pela pradaria descalço, de mãos vazias, competindo com o vento e clamando pelos deuses de sua crença.

Então, caiu diante de um escudo cujas cores assemelhavam-se às chamas da forja e tão brilhante quanto as pedras reluzentes encontradas nos rios. Junto dele, uma maça, semelhante às clavas de madeira que seus ancestrais carregavam, mas diferenciada pelo material, tão reluzente quanto o escudo.

Os deuses haviam atendido seu clamor. Ele tomou o escudo e desceu para onde a luta acontecia. Não houve espada capaz de quebrar sua defesa; nenhuma arma capaz de macular seu corpo. Nirmud fez tombar os inimigos, um a um; sucumbiram diante dele.

O Escudo de Nirmud – Miniconto

Créditos da imagem: Evelyn Postali

O Escudo de Nirmud

Naquele tempo, o reino era desmilitarizado, desprovido de exército e ganância. O único combate aceitável era o combate à fome que, em época de seca ou enchente, destruía os sonhos de uma sociedade justa e evoluída. Por esse motivo, as mãos de Nirmud plantavam os grãos, curavam os doentes, caçavam e escreviam as leis dos antigos. Nenhum outro cidadão tinha tanto prestígio quanto ele, o predestinado.

Foi difícil conviver com a guerra cósmica, trazida por exércitos desconhecidos, rasgando a terra e criando feridas profundas. Foi igualmente difícil ver seu pai e seus irmãos morrerem sob espadas faiscantes que jamais manuseara. Nirmud correu pela pradaria descalço, de mãos vazias, competindo com o vento e clamando pelos deuses de sua crença.

Então, caiu diante de um escudo cujas cores assemelhavam-se às chamas da forja e tão brilhante quanto as pedras reluzentes encontradas nos rios. Junto dele, uma maça, semelhante às clavas de madeira que seus ancestrais carregavam, mas diferenciada pelo material, tão reluzente quanto o escudo.

Os deuses haviam atendido seu clamor. Ele tomou o escudo e desceu para onde a luta acontecia. Não houve espada capaz de quebrar sua defesa; nenhuma arma capaz de macular seu corpo. Nirmud fez tombar os inimigos, um a um; sucumbiram diante dele.

O Castelo da Lua – Miniconto

O Castelo da Lua – Miniconto

O CASTELO DA LUA Ao pé da colina, na beira do precipício, bem ao sul do território,  Valjean, ainda criança, viu o pai construir um castelo. Uma década dedicada ao palácio. Arquitetos e pedreiros do reino fizeram subir a edificação … Continuar lendo

Histórias Fantásticas (5)

Textos criados a partir de imagem. Minicontos.

ALMIRA

Quando Almira adoeceu, pareceu um dia sem fim, apesar do cheiro de primavera. No último suspiro dado por ela, as nuvens despencaram do céu no final da tarde. Depois, a cor púrpura tomou o horizonte e foi se misturando com o cinza e abriu o céu. Logo que fecharam seus olhos, as luzes do firmamento salpicaram o chão nas ruas onde ela costumava passar e ergueu-se um pó dourado e ele subiu, subiu, como sobe o sol  no horizonte.

Quando juntaram suas mãos, Almira abriu os olhos. Sentiu brotarem asas de suas costas cansadas e o vento abriu as portas e janelas, esvoaçando as cortinas e surpreendendo os que estavam ao seu redor. Almira saiu pela janela e encantou-se com os luzeiros. Estavam por toda a parte, fora e dentro dela, e só percebeu estar no alto quando se deu por conta da leveza do corpo e da ausência de chão.

A estranheza de flutuar se dissipou ao encher os pulmões daquele ar de vida e de mundo, de mãos dadas e estradas, e as asas moveram-se como as dos pardais. As lembranças caíam de seus olhos e construíam uma escada rumo ao infinito. Almira foi pisando leve e seguindo para além quando ouviu Mariela lá embaixo.

“Mira!”, agitava as mãozinhas no ar. “Mira!”

Do meio da ruela, a pequena a chamava, meio encantada, segurando riso e lágrima, meio com medo, já com o peito apertado, meio vazio. Era assim, então? Meio triste, meio lindo?

Almira olhou-a e sorriu como sempre.

“Não esquece de mim, Mira!”

Do alto, a tia acenou e seguiu escada acima até desaparecer.

ALMIRA

When Almira fell ill, it seemed like an endless day, despite the smell of spring. With her last breath, clouds plummeted from the late afternoon sky. Then the purple color took over the horizon and mixed with the gray and opened up the sky. As soon as they closed her eyes, the lights of the firmament splashed the ground in the streets where she used to pass, and a golden dust rose and it rose, and it rose, it rose as the sun rises on the horizon.

When they joined their hands, Almira opened her eyes. She felt wings sprout from her tired back and the wind opened the doors and windows, fluttering the curtains and startling those around her. Almira went out the window and marveled at the lights. They were everywhere, outside and inside her, and she only realized that she was on top when she noticed the lightness of the body and the absence of ground.

The strangeness of floating dissipated as he filled his lungs with that air of life and the world, hand in hand and roads, and the wings moved as sparrows did. Memories fell from her eyes and built a stairway to infinity. Almira was stepping lightly and moving beyond when she heard Mariela downstairs.

“Mira!” She waved her little hands in the air. “Mira!”

From the middle of the alley, the little girl called her, half enchanted, holding back laughter and tears, half afraid, her chest already tight, half empty. Was it like that, then? Kind of sad, kind of beautiful?

Almira looked at her and smiled as always.

“Don’t forget about me, Mira!” From above, the aunt waved and continued upstairs until she disappeared.

CORAÇÃO SOLITÁRIO

Elmut  participava das brincadeiras quando criança. Na convivência com os outros pequenos, costumava entregar-se ao riso e à fantasia. Inventava histórias, corria, e conquistava a simpatia de quem o tivesse por perto.

Durante sua adolescência, atento aos ensinamentos dos alquimistas sobre a natureza e seus elementos, dos menestréis sobre as composições musicais e instrumentos, dos clérigos sobre a escrita e suas interpretações, questionava e buscava saber sempre mais. De sua mãe aprendeu sobre etiqueta e organização doméstica. De seu pai aprendeu que para governar um reino do tamanho daquele que possuía era preciso estar atento à justiça desde as questões mais simples até aquelas que exigiam esforços diplomáticos mais complexos.

De Neuen… Bem… De Neuen aprendeu sobre tristeza, traição, mentira e solidão, e entrou na maioridade resistindo à pressão da família e da corte em encontrar a verdadeira alma gêmea.

Coroa, cetro e medalhão da Ordem, ao assumir o trono, ordenou ao melhor ourives de Azálion a construção de um cofre em ouro, em formato cúbico, ornamentado com pedras preciosas. Deveria possuir, nas paredes laterais, desenhos de estrelas, corações, flores e arabescos em baixo-relevo, com pérolas, madrepérolas, quartzos e águas-marinhas. A parte superior deveria ser uma cúpula adornada por diamantes, esmeraldas, safiras, rubis e pérolas formando uma espécie de jardim – rosas, borboletas e pássaros; a porta, dividida em duas partes, com um enorme coração carregado de arabescos, igualmente dividido – metade para a direita, metade para a esquerda. Era imperioso que tal coração tivesse em sua composição rubis, granadas, topázios imperiais e ametistas de vários formatos e tamanhos; ao redor, uma moldura de turquesas e opalas. Não era necessária uma fechadura, apenas duas alças em ouro e na parte interna forro acolchoado em veludo vermelho.

 O cofre ficou pronto um dia antes de um grande evento entre os reinos, evento planejado e imposto pela mãe, para que o filho escolhesse quem se sentaria a seu lado no trono.

Nos aposentos, minutos antes do encontro, Elmut guardou seu coração dentro do cofre.

LONELY HEART

Elmut participated in the games as a child. In living with the other little ones, he used to indulge in laughter and fantasy. He made up stories, ran, and won the sympathy of anyone who had him around.

During his adolescence, attentive to the teachings of alchemists on nature and its elements, of minstrels on musical compositions and instruments, of clerics on writing and its interpretations, he questioned and always sought to know more. From his mother he learned about etiquette and household organization. From his father he learned that to govern a kingdom the size of his own, he had to be mindful of justice from the simplest issues to those that required the most complex diplomatic efforts.

From Neuen… Well… From Neuen he learned about sadness, betrayal, lying and loneliness, and came of age resisting the pressure of family and court to find his true soul mate.

Crown, scepter and Order’s medallion, upon assuming the throne, he ordered the best goldsmith of Azalion to build a vault of gold, cubic in shape, ornamented with precious stones. It should have, on the side walls, drawings of stars, hearts, flowers and arabesques in bas-relief, with pearls, mother-of-pearls, quartz and aquamarine. The upper part should be a dome adorned with diamonds, emeralds, sapphires, rubies and pearls forming a kind of garden – roses, butterflies and birds; the door, divided into two parts, with a huge heart laden with scrolls, equally divided – half to the right, half to the left. It was imperative that such a heart had in its composition rubies, garnets, imperial topazes and amethysts of various shapes and sizes; around, a frame of turquoise and opals. No lock was required, just two handles made of gold and a red velvet padded lining inside.

The vault was ready the day before a great event between the kingdoms, an event planned and imposed by his mother for him to choose who would sit beside him on the throne. In the chambers, minutes before the meeting, Elmut kept his heart inside the vault.

Créditos das imagens: Evelyn Postali

Histórias Fantásticas (3)

O Navegador

William Eduard Phillip Kay III era navegador, assim como seu pai foi, e como o pai de seu pai, e os que o antecederam. Cruzar sistemas solares, passar por nuvens de meteoritos, atravessar a cauda gasosa de cometas o fazia estufar o peito e inflar o ego. Sua nave, carinhosamente apelidada de Bai, era um mecanismo híbrido, meio máquina, meio bicho, coisa antiga comparada com  as intergalácticas Reeves ou com as Elons. A vantagem de Bai era a capacidade de se metamorfosear, de acionar sua transluscência ajustando-se  convenientemente a qualquer ambiente ou situação. Não existiam naves iguais a ela – único exemplar construído pelo bisavô, lendário desbravador espacial – por isso, cobiçada por muitos. Fato exemplar: seu hibridismo estava associado ao DNA de seu criador e, portanto, apenas descendentes diretos ou indiretos de Kat I conseguiam comandar seus motores.

Billy Kay, como era conhecido, não se considerava mercenário; era apenas um homem com interesses vinculados à moeda de maior cotação do universo conhecido, o musk. Um único musk comprava meia dezena de intergalácticas. Como explorador, garimpava artefatos em planetas mortos, cujas civilizações haviam sido destruídas, ou por catástrofes naturais, ou por guerras entre seus habitantes. Guiava-se por cartas celestes, que continham as rotas mapeadas pelo pai e os registros de viajantes, historiadores de planetas onde a possibilidade de haver algum objeto  de valor era grande. Mantinha-se fora de confusões, muito embora elas o perseguissem onde quer que estivesse.

Quando Bai acionou os alertas e o modo transluscência estavam entre a Anã do Cão Maior e Andrômeda. Em seus radares holográficos multicoloridos, mais de uma centena de pontos móveis grandes e pequenos. A zona era neutra, contudo, a formação em V dos grupos de pontilhado indicava uma frota de guerra Centauro.

O Coração de Sayuri

A floresta da Solidão é uma floresta fechada, com árvores frondosas e poucas trilhas internas. Existem muitas cavernas desconhecidas cujos caminhos se bifurcam fazendo os exploradores se perderem em seu interior.

Haiato, homem maduro, já experiente pelas inúmeras viagens exploratórias, conhece as florestas de muitos lugares como a palma de sua mão. Desde adolescente, mapeia a geografia de lugares misteriosos, cujas histórias estão envoltas em fatos extraordinários ou incomuns. É sua especialidade e sua única paixão.

Está prestes a empreender uma jornada pela Solidão enumerando as aberturas em torno da montanha que a acolhe. Os moradores dos arredores relataram as tragédias e atribuem os desaparecimentos a uma jovem, Sayuri.

― É a dama da Solidão. Se a vir, não a siga. Apenas deixe-a onde a encontrar – advertiu o homem grisalho.

― É um fantasma?

― Ela carrega o coração da montanha. Não se apaixone.

Haiato é corajoso e prudente. Não acredita em sobrenatural e inicia sua jornada pela trilha mais visível. Vai desenhando seu próprio mapa, fazendo anotações sobre o papel do último registro geográfico feito, coisa de mais de dez anos. O mapa, já amarelado, contém meia dúzia de linhas. Ele espera completar os registros e apresentar o mapa ao contratante em menos de um ano, média de tempo já calculada.

Os primeiros dias foram tranquilos. Saia cedo do acampamento próximo à vila, trilhava até atingir determinada distância e retornava à noite. A medida em que adentrava a mata, sentia as horas acelerarem. Suas marcações diárias eram sempre as mesmas, mas a escuridão da noite engolia o dia cada vez mais rapidamente.

Decidiu pernoitar, montar acampamento no ponto de parada do dia e seguir pela manhã para ganhar tempo. E foi na segunda noite que tudo aconteceu.

Créditos das imagens: Evelyn Postali

Coração Solitário – Miniconto

Coração Solitário – Miniconto

Elmut  participava das brincadeiras quando criança. Na convivência com os outros pequenos, costumava entregar-se ao riso e à fantasia. Inventava histórias, corria, e conquistava a simpatia de quem o tivesse por perto. Durante sua adolescência, atento aos ensinamentos dos alquimistas … Continuar lendo

Almira – Miniconto

Almira – Miniconto

Quando Almira adoeceu, pareceu um dia sem fim, apesar do cheiro de primavera. No último suspiro dado por ela, as nuvens despencaram do céu no final da tarde. Depois, a cor púrpura tomou o horizonte e foi se misturando com … Continuar lendo

Flores para Quitéria – Miniconto

Flores para Quitéria – Miniconto

Flores para Quitéria Todas as manhãs de quinta-feira, Horácio saía do escritório de contabilidade, cruzava a praça e seguia até à loja de Dorival, dono de uma pequena floricultura na subida da rua adjacente à avenida principal. Encomendava sempre as … Continuar lendo

A Gruta da Garganta – Miniconto

A Gruta da Garganta – Miniconto

Eco. Toda a resposta que se tinha em frente à gruta era aquela. O eco de sua própria voz a repetir incontáveis vezes a última palavra até o som enfraquecer e desaparecer em meio ao silêncio da mata do entorno. … Continuar lendo

O Coração de Sayuri – Miniconto

O Coração de Sayuri – Miniconto

A floresta da Solidão é uma floresta fechada, com árvores frondosas e poucas trilhas internas. Existem muitas cavernas desconhecidas cujos caminhos se bifurcam fazendo os exploradores se perderem em seu interior. Haiato, homem maduro, já experiente pelas inúmeras viagens exploratórias, … Continuar lendo

O Navegador – Miniconto

O Navegador – Miniconto

William Eduard Phillip Kay III era navegador, assim como seu pai foi, e como o pai de seu pai, e os que o antecederam. Cruzar sistemas solares, passar por nuvens de meteoritos, atravessar a cauda gasosa de cometas o fazia … Continuar lendo