Microcontos 71-75

Microcontos 71-75

71 Enquanto escrevia o capítulo final, o cheiro almiscarado perpetuou a lembrança da visita à catacumba do pai. Em gesto iracundo, totalmente avesso ao que pretendia, matou outra vez. Dessa feita, o personagem principal. Sentou-se à janela, para contemplar as … Continuar lendo

Divulgação

Tenho escrito microcontos.

Já faz algum tempo, junto micronarrativas de momentos peculiares de reflexão. A ilustração, antes através de fotografias de minha autoria, muitas vezes não atinge a representação que o texto induz. Por isso, decidi por ilustrar através de desenho e pintura.

O processo é longo. Os microcontos são publicados aqui, ora individualmente, ora em grupos de 5. A estimativa para o término é 2018, muito possivelmente, depois da metade do ano.

Essa é uma amostragem do material.

No processo de trabalho, tenho a construção da moldura (linhas irregulares), o desenho à lápis (rascunho), o desenho com nanquim (caneta) e a pintura ainda não definida.

Número

Número

  Disfarçou um olhar sereno e pronunciou um ‘sim’ quase calado. Não tiraria aquele sapato por nada. O pé que aguentasse com humildade o aperto insuportável e frio do cristal. A sofreguidão não duraria para sempre, afinal, estava se casando … Continuar lendo

Microcontos 66-70

Microcontos 66-70

66 O ser eurícero, formado naquele instante de magia, fez o caçador titubear. Néscio da força da natureza, o pigmeu encantou-se com o enorme corno iridescente e atacou a criatura, querendo para si tal peça inédita. A azagaia bateu no … Continuar lendo

Microcontos 61-65

Microcontos 61-65

61 Alice e Lewis conheceram-se naquele pub de Oxford – The Eagle and The Child. Indicação do amigo João Ronaldo. Depois daquela noite, entre lençóis, salsa caribenha e samba, decidiram seguir para Sydney. A intenção era ver cangurus.   62 … Continuar lendo

Folhetim (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Perseguido, rastejou-se para perto do anêmico riacho pedindo perdão. Sentia a pele feito manga chupada até o osso. O cavalo não resistira. Morrera quilômetro atrás, na secura da caatinga. A sede se igualava ao medo quando o sol foi encoberto pela sombra do cangaceiro mais temido da região. Olhar para a mulher do sujeito na vendinha local selara seu destino.

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Microcontos 56-60

Microcontos 56-60

56 Ela comprara um sistema computadorizado para a vassoura. Não perderia mais o rumo. Esperar pela entrega era um martírio, mas fazer o quê? Tentaria se distrair com a nova receita. Cortaria o morcego, tiraria a pele da cobra e … Continuar lendo

Microcontos 51-55

Microcontos 51-55

51 Adiantava a hora do despertador. Não conseguia livrar-se da pressa. Ela se aconchegava junto a ele todas as noites. 52 Vida mansa. Essa era a melhor política. O bisavô, a quem chamavam de Marquês, lhe diria: não chore pelo … Continuar lendo

Desapego (Evelyn Postali)

Olhava para as uvas penduradas. Para a água depositada em algumas folhas. O pingo preso ao último grão do cacho. Da vidraçaria, enquanto observava o parreiral nos fundos da casa do morador do meio da quadra contabilizava o sustento. Tudo na ponta do lápis. A matemática era simples.

Micro Estórias

Olhava para as uvas penduradas. Para a água depositada em algumas folhas. O pingo preso ao último grão do cacho. Da vidraçaria, enquanto observava o parreiral nos fundos da casa do morador, do meio da quadra, contabilizava o sustento. Tudo na ponta do lápis. A matemática era simples.

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Manobra (Evelyn Postali)

Perceberam estar no âmago da nuvem de gás. A descoberta daquele ponto central limpo, sem turbulência serviria para estabilizarem o sistema. O momento era delicado. O engenheiro estipulara uma abord…

Fonte: Manobra (Evelyn Postali)

Capítulo Final (Evelyn Postali)

Enquanto escrevia o capítulo final, o cheiro almiscarado perpetuou a lembrança da visita à catacumba do pai. Em gesto iracundo, totalmente avesso ao que pretendia, matou outra vez. Dessa feita, o p…

Fonte: Capítulo Final (Evelyn Postali)

Chá? (Evelyn Postali)

Micro Estórias

Ouviu a campainha. “Hora de zarpar…”, lembrou-se da viagem. “Quando mesmo?” Levantou com a ressaca martelando. Calçou as pantufas. Abriu a porta e apertou os olhos – inútil tentativa de proteger o cérebro da luz. O, até então, hipotético abominável homem das neves, estava diante dele. Fechou a porta, indeciso. “Do que mesmo era aquele chá?”

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Chá? (Evelyn Postali)

Ouviu a campainha. “Hora de zarpar…”, lembrou-se da viagem. “Quando mesmo?” Levantou com a ressaca martelando. Calçou as pantufas. Abriu a porta e apertou os olhos – inútil tentativa de prote…

Fonte: Chá? (Evelyn Postali)

Microconto policial

Microconto policial

O assassinato de Lola, a tartaruga espanhola, era uma salada de confusão envolvendo o delegado Cardoso, um jacaré vindo de Miami, e o promotor, seu rival, Vegas, uma lebre que se tornara famosa pela prisão de Ubino, o javali serial … Continuar lendo

Julgamento

Julgamento

Osíris, sentado ao trono, olhava para o Curupira à sua frente. A julgar pelo desequilíbrio constante da balança, não seria nada fácil. — Não sei de nada disso, não, senhor. Essa tal escatologia, aí. Coisa mais estranha de se dizer… … Continuar lendo