Toda-mulher-vaga-lume

Esse livro logo, logo vai estar na loja da Editora Urutau.

Tem cinco poemas meus e cinco ilustrações minhas. Além dos meus, vai encontrar poemas de Sandra Godinho Gonçalves, Paula Giannini, Sabrina Dalbelo, Elisa Ribeiro, Amana, Renata Rothstein, Juliana Calafange, Fernanda Caleffi Barbetta, Giselle Fiorini Bohn, Anorkinda Neide, Maria Santino e Claudia Roberta Angst.

Tenho muito orgulho de fazer parte dAs Contistas. Grupo maravilhoso!

“O livro TODA-MULHER-VAGA-LUME é uma coletânea de poemas do coletivo As Contistas selecionado na chamada @quemderaosangue do selo @editorahecatombe da @editoraurutau

É com imensa alegria que anunciamos que ele está pronto e, em breve, à disposição para compra, na editora ou com as Contistas.

Ele tem 15 ilustrações belíssimas para acompanhar os poemas. O livro dialoga com a força e a resistência da mulher. Ficou lindo, lindo!”

Link para AS CONTISTAS. Conheça nossos contos e livros!

Link para a URUTAU.

Asas de Vidro – Poema

Créditos das Imagens: Evelyn Postali

A paisagem do meu coração se transforma

Em ondas de calor e grânulos de poeira.

A manhã transcende e o verão finda

O inverno é uma jornada em asas de vidro,

Em meias-noites de vigília,

Em poéticas de voos inconstantes.

De flor em flor, de folha em folha,

Como as Gretas oto à deriva,

Voo além das sombras e reflexos,

Além do cristal e do vazio.

Eu sonho com essa viagem,

Desenho essa viagem em asas transparentes,

Carregada por nuvens ligeiras

A sussurrar ao luar uma vida inteira.

E como na magia, os pequenos espelhos

Que ora você vê, ora não,

Refletem a mim mesma

Sem medo de quebrar

Ou voar para além,

Sem medo das rachaduras ou falhas,

De machucar as pétalas de qualquer flor.

E no fim da jornada, arranco as asas,

Egoísta que sou sem arrependimento,

Porque, quem as deseja não saberá usá-las, afinal,

E, morrer voando, valerá a pena.

Poema

COLAGEM

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!

In: BILAC, Olavo. Poesias infantis. 18.ed. Rio de Janeiro: F. Alves, 195

Di silenzi…

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Il mio silenzio ha molte facce.
La migliore è la vostra.
Tra l’indecisione, la croce,
La prima bugia e il volo.
Dopotutto, siamo noi
Per contenere la scena,
Infrangere la norma
O sconta la pena.
Nessuna pagina indecisa,
O felicità perpetua
In questo libro afflitto dal desiderio
Esigendo il mattino, la finestra aperta,
O la fatica
Nel mantenere la vicinanza.
Il mio silenzio ha molte facce.
Una va avanti
L’altra, massacrami.

De Silêncios…

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Meu silêncio tem muitas faces.
A melhor delas, a tua.
Entre a indecisão, a cruz,
A primeira mentira e a fuga.
Somos nós, afinal,
A conter a cena,
A romper a norma,
Ou cumprir a pena.
Nenhuma página indecisa,
Nem perpétua felicidade
Nesse livro aflito de saudade
A exigir a manhã, a janela aberta,
Ou a labuta
Em manter a proximidade.
Meu silêncio tem muitas faces.
Uma delas segue em frente,
Outra, me abate.

Poema

Croquis

O tempo
Marca registrada do humano em mim
O que passa e o que fica
Na fenda mais profunda
O vinco, a cicatriz
Na abertura mais estreita
O estreito fio no qual me lanço
A estrada e o descompasso
Da chegada e partida
Uma ida e uma volta sem volta
A vastidão e a ilusão do recomeço
Não me reconheço
Nas marcas que fiz

Poema

Poema

Poema para um futuro incerto Saltam diamantes e brilhamNas gotas de orvalho fino.Fazem cintilar teus olhosCom o sol do vespertino.São vestidos alinhados,Balançando com o vento.O embalo é suave,afugenta o pensamento.Ao vesti-los, pequenina,Põe tua mão segura à minha.Se cresce a dança … Continuar lendo

Poema

Poema

É nessa estrada onde me encontro,tangendo o céu acinzentado e o horizonte.É nesse ponto onde observo a trilhaquerendo vencer a jornada.O ocaso a avermelhar o verde da terra em desatino,a gritar o teu nome ao vento,é meu recomeço.Minha alma, em … Continuar lendo

Esquecido – Claudia Jeveaux

Esquecido, poema de Claudia Jeveaux gentilmente cedido para esse espaço de leitura e escrita.

ESQUECIDO

Perco partes de mim, na luta constante.
Ora brigo como galo sem espora,
Ora berro tal bezerro desmamado.
Enquanto o tempo, impiedoso, vai embora.

Espero o renascer do sol caliente
Talvez aumente, à força, a energia
Desbastada e sugada na tristeza
Da fraqueza que minha vida irradia

Sigo as pistas que deixei na afasia
Recolhendo as mazelas do passado
Onde o tempo parecia acomodado
Onde eu tinha esperança em demasia

A cortina da verdade não se abriu
Rasga a carne, a mudança de estação
Guardo as dores na ferida condição
De um apêndice, esquecido, pelo chão.

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Poema inspirado em imagem.

Imagem: Evelyn Postali

Poema

(Foto-manipulação; fotografia minha, modificada digitalmente)

Nesse tédio no qual me encontro,
nem as flores,
nem amores a sorrir me encantam.
Nem as vozes.
É um mal, uma constante dor,
um dissabor etéreo
de gosto estranho,
desabafo de terra e mar.
E, a fugir de mim o sopro eterno,
vai minha alma a cobrir tuas mãos amadas,
a manchar de tons funestos
o olhar, a boca avermelhada,
o bater de um coração,
em tempo,
ainda apaixonado.

Declaração Amorosa

Um poema meu (ilustrado por mim) no canal As Contistas – Escritoras Visitem o canal no Youtube, visitem o blog dAs Contistas, curtam a página no Facebook, sigam no Instagram. Leiam! Micronarrativas, contos, crônicas. Conteúdo de qualidade! E aproveitem para visitar o Anexos, no IG e no FB.

IDENTIDADE

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IDENTIDADE ZERO EU SOU EXISTO TRANSCENDO
TRANSFORMO PROGRIDO PEÇO EXTINGO RIO
CORROO AFOGO ALCANÇO DESISTO PENSO
AFAGO CONSOLO PERTENÇO CONHEÇO VEJO
FOMENTO DETESTO SONEGO DURMO POLUO
TRANSGRIDO JUSTIFICO AMO COMPARTILHO
LAMENTO VISTO CONCORDO SOLUÇO TOLHO
MAREJO COMO VOMITO DESTRUO VELO VOO
ENGANO RABISCO FAREJO GOSTO AMARRO
LIBERTO ADOÇO AFASTO ESCONDO VEJO
SONHO ESQUEÇO ATRASO TOLERO CONSIGO
AFRONTO GESTICULO APAGO BERRO RISCO
DESENHO DESDENHO CRIO ACOLHO MOLHO
OUÇO SUPLICO LEIO SUSSURRO IMAGINO
LAMENTO SAÚDO ENTERRO SUPLICO VIAJO
CORRIJO SANGRO GARANTO EU MORRO

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Poema

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Retinas

Observadores silenciosos, os vitrais
Disfarçam-se em pontilhados coloridos,
Em alturas majestosas, ou círculos contidos,
Em arcos e pontas elevadas.

Não querem os campesinos
apontando suas rachaduras.
Não querem os citadinos
observando suas manchas.

Querem os viajantes desatentos,
a encantarem-se no mergulho
em tons quietos de passado e presente,
em cintilar etéreo a penetrar com a luz em suas retinas.

 

Para a imagem: AQUI

Poema

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As Altas Janelas

São as altas janelas que não compreendemos.
Porque não há palavras.
Apenas a crença do vidro a subjugar a luz,
mas ela ultrapassa e abraça o espaço que é do homem, e também não é.
E por trás delas, e além,
apenas o céu e o ar azul.
E não há nada. Só o infinito.