Poema

Poema

LOGRO (Evelyn Postali) Olhai, olhai!Elas se levantam,Em pontas ao céu erigidoAzuis e cinzas rígidos,De pampa e terra e cavalo.Olhai, olhai!Deste solo de minuanoA tocar uma canção funéreaDe corpo, de sangue,De pó, de bandeira e pialo. Erguei as lanças,Ó, lanceiros, erguei!Erguei … Continuar lendo

Poema

Poema

SE(N/M)HORA Sou eu, aí, na pressa dos meus dias, No carro, no trabalho, na pia.Espremida,pressionada,contida no reverso do reflexo vazio. Eu, esposa que me enfeito.Eu, mãe que adormeço.Eu, mulher que desejo. Eu minto, eu sonho, eu me esqueço. Deixo-me ficar … Continuar lendo

Poema

Poema

Veias Toda a vez que em ti me deito            e sempre que contigo amanheço,            encontro a perdição em teu desejoE minha armadilha em teu calar. Tuas veias arrastam-me em silêncio            e tuas mãos se entrelaçam em meu peito.Tua língua serpenteia em … Continuar lendo

Mó do Tempo, Pó da Alma e Onze Poemas

Mó do Tempo, Pó da Alma e Onze Poemas

Sempre penso na frase de Mário Quintana… “A poesia não se entrega a quem a define.” Por isso, eu não sei bem se são poemas. Escrevo quando meu sentimento não cabe em mim. Busco traduzir em palavras o que não … Continuar lendo

Poema

Poema

Poema III Como tu encontraste o caminho de minha alma,estrada coroada de espinhos e paixões desastrosas,de dores raivosas e cor escarlate?De onde as folhas de plátano cobriram o fogo repentinoe a névoa da montanha cegou a mortalha de meu corpo,quando todos … Continuar lendo

Retrospectiva

Retrospectiva

2021 foi, sem dúvidas, muito mais controverso que 2021. Não vou me deter nos dissabores vividos. Quero, sim, tornar evidentes as realizações, especialmente na área de Literatura, onde entre exercícios de escrita e publicações consegui elevar os ânimos e afastar … Continuar lendo

Poema

Pão e Osso

De olhar doce e atento,
observa o mundo que passa perto.
Já brincou, quem sabe não,
quem sabe é o tempo.
É preciso ser esperta.
Passa a vida ali, no sossego,
guardando os caminhos,
no relento.
Se ajeita como pode,
no abandono,
sem alvoroço.
Outro já foi seu dono,
carregado sabe como.
Contudo, não se queixa.
A vida é um pedaço de pão ou osso.


Lembrança de quem se foi (2013). Paquita, guardiã da casa da curva da estrada.

Pode ser uma imagem em preto e branco de cão

Cinquentenário do 20 de Novembro

Muito, muito feliz!
Meu poema, cujo título é LOGRO, foi selecionado no concurso 50 Poesias e Textos sobre o Cinquentenário do 20 de Novembro.
Ele vai integrar o livro “Cinquentenário do 20 de Novembro em Textos”. Esse concurso integra as comemorações pelos 50 anos da criação do Dia da Consciência Negra. O concurso selecionou poemas e outras formas de texto sobre a temática e questões relacionadas à data.
Nesse poema eu falo dos Lanceiros Negros e de sua história.

Poema

Créditos da imagem: Evelyn Postali

Prepare o dia, uma manhã plena.
Prepare o altar em almas peregrinas,
À soma de nossos cantos,
Nobres vozes em saudação.
Que ninguém duvide de nossa descrença
Ou de nossa religião,
Porque a vida, tomamos como longa,
Em depósitos, em migalhas.
Prepare o dia, a manhã não falha.
Prepare o altar em sinal de salvação
De corações solitários e estranhos,
A buscar a segurança da oração.
Que ninguém exija exíguas mortalhas
Ou graças de absolvição,
Porque a vida nos joga de volta
Contra nossas próprias muralhas.

Toda-mulher-vaga-lume

Esse livro logo, logo vai estar na loja da Editora Urutau.

Tem cinco poemas meus e cinco ilustrações minhas. Além dos meus, vai encontrar poemas de Sandra Godinho Gonçalves, Paula Giannini, Sabrina Dalbelo, Elisa Ribeiro, Amana, Renata Rothstein, Juliana Calafange, Fernanda Caleffi Barbetta, Giselle Fiorini Bohn, Anorkinda Neide, Maria Santino e Claudia Roberta Angst.

Tenho muito orgulho de fazer parte dAs Contistas. Grupo maravilhoso!

“O livro TODA-MULHER-VAGA-LUME é uma coletânea de poemas do coletivo As Contistas selecionado na chamada @quemderaosangue do selo @editorahecatombe da @editoraurutau

É com imensa alegria que anunciamos que ele está pronto e, em breve, à disposição para compra, na editora ou com as Contistas.

Ele tem 15 ilustrações belíssimas para acompanhar os poemas. O livro dialoga com a força e a resistência da mulher. Ficou lindo, lindo!”

Link para AS CONTISTAS. Conheça nossos contos e livros!

Link para a URUTAU.

Asas de Vidro – Poema

Créditos das Imagens: Evelyn Postali

A paisagem do meu coração se transforma

Em ondas de calor e grânulos de poeira.

A manhã transcende e o verão finda

O inverno é uma jornada em asas de vidro,

Em meias-noites de vigília,

Em poéticas de voos inconstantes.

De flor em flor, de folha em folha,

Como as Gretas oto à deriva,

Voo além das sombras e reflexos,

Além do cristal e do vazio.

Eu sonho com essa viagem,

Desenho essa viagem em asas transparentes,

Carregada por nuvens ligeiras

A sussurrar ao luar uma vida inteira.

E como na magia, os pequenos espelhos

Que ora você vê, ora não,

Refletem a mim mesma

Sem medo de quebrar

Ou voar para além,

Sem medo das rachaduras ou falhas,

De machucar as pétalas de qualquer flor.

E no fim da jornada, arranco as asas,

Egoísta que sou sem arrependimento,

Porque, quem as deseja não saberá usá-las, afinal,

E, morrer voando, valerá a pena.

Poema

COLAGEM

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!

In: BILAC, Olavo. Poesias infantis. 18.ed. Rio de Janeiro: F. Alves, 195

Di silenzi…

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Il mio silenzio ha molte facce.
La migliore è la vostra.
Tra l’indecisione, la croce,
La prima bugia e il volo.
Dopotutto, siamo noi
Per contenere la scena,
Infrangere la norma
O sconta la pena.
Nessuna pagina indecisa,
O felicità perpetua
In questo libro afflitto dal desiderio
Esigendo il mattino, la finestra aperta,
O la fatica
Nel mantenere la vicinanza.
Il mio silenzio ha molte facce.
Una va avanti
L’altra, massacrami.

De Silêncios…

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Meu silêncio tem muitas faces.
A melhor delas, a tua.
Entre a indecisão, a cruz,
A primeira mentira e a fuga.
Somos nós, afinal,
A conter a cena,
A romper a norma,
Ou cumprir a pena.
Nenhuma página indecisa,
Nem perpétua felicidade
Nesse livro aflito de saudade
A exigir a manhã, a janela aberta,
Ou a labuta
Em manter a proximidade.
Meu silêncio tem muitas faces.
Uma delas segue em frente,
Outra, me abate.

Poema

Croquis

O tempo
Marca registrada do humano em mim
O que passa e o que fica
Na fenda mais profunda
O vinco, a cicatriz
Na abertura mais estreita
O estreito fio no qual me lanço
A estrada e o descompasso
Da chegada e partida
Uma ida e uma volta sem volta
A vastidão e a ilusão do recomeço
Não me reconheço
Nas marcas que fiz

Poema

Poema

Poema para um futuro incerto Saltam diamantes e brilhamNas gotas de orvalho fino.Fazem cintilar teus olhosCom o sol do vespertino.São vestidos alinhados,Balançando com o vento.O embalo é suave,afugenta o pensamento.Ao vesti-los, pequenina,Põe tua mão segura à minha.Se cresce a dança … Continuar lendo

Poema

Poema

É nessa estrada onde me encontro,tangendo o céu acinzentado e o horizonte.É nesse ponto onde observo a trilhaquerendo vencer a jornada.O ocaso a avermelhar o verde da terra em desatino,a gritar o teu nome ao vento,é meu recomeço.Minha alma, em … Continuar lendo

Esquecido – Claudia Jeveaux

Esquecido, poema de Claudia Jeveaux gentilmente cedido para esse espaço de leitura e escrita.

ESQUECIDO

Perco partes de mim, na luta constante.
Ora brigo como galo sem espora,
Ora berro tal bezerro desmamado.
Enquanto o tempo, impiedoso, vai embora.

Espero o renascer do sol caliente
Talvez aumente, à força, a energia
Desbastada e sugada na tristeza
Da fraqueza que minha vida irradia

Sigo as pistas que deixei na afasia
Recolhendo as mazelas do passado
Onde o tempo parecia acomodado
Onde eu tinha esperança em demasia

A cortina da verdade não se abriu
Rasga a carne, a mudança de estação
Guardo as dores na ferida condição
De um apêndice, esquecido, pelo chão.

* * * * * * * * * *

Poema inspirado em imagem.

Imagem: Evelyn Postali

Poema

(Foto-manipulação; fotografia minha, modificada digitalmente)

Nesse tédio no qual me encontro,
nem as flores,
nem amores a sorrir me encantam.
Nem as vozes.
É um mal, uma constante dor,
um dissabor etéreo
de gosto estranho,
desabafo de terra e mar.
E, a fugir de mim o sopro eterno,
vai minha alma a cobrir tuas mãos amadas,
a manchar de tons funestos
o olhar, a boca avermelhada,
o bater de um coração,
em tempo,
ainda apaixonado.