Poema

Créditos da Imagem: Evelyn Postali

POEMA XI

Aqui me tens por completa,
Entre a lua e a estrada deserta,
Nas minhas folhas pendentes
Ao vento, debruçadas.
Desdobra tua mão e guia minha seiva.
Sou tão forte e pesada em teus passos!
Sou tua sombra no luar entrecortada
Pelas pedras, pelas ranhuras das taipas.
Sonho distante, amontoadas as palavras,
São histórias retorcidas nas raízes estendidas.
Quero a trilha mais brilhante,
Estrelada no horizonte.
Assim, me encontrarás perfeita,
Inclinada sobre o monte
Onde ainda há estrada.

Poema

Poema

Poema IX Sendo tu quem tu és, indócil criatura,Aplaca a claridade que de ti vem e me machucaEntre o doce e o sal da tua pele,Na onda que bate e leva da areia à morte.Quero, das radiantes flores tuas,O perfume … Continuar lendo

Poema

SANGRIA

(Evelyn Postali)

— Tudo marra, tudo berra —¹
Coleirinho mestiço, livre de amarras
E aprisionado em terra tupiniquim.
Tudo é bode, tudo pode,
Não há tratado, não há regalo,
É luta incansável, dia sim, dia sim.

— Tudo marra, tudo berra —
Se Getulino ou Barrabaz,
Do agreste ninho, grita em voz partida,
Nada finda, atroz sangria,
É ainda, ainda agora,
No presente, nesta vida sofrida.

Coleirinho agreste, da Costa da Mina,
De poesia solta e ácida,
A ecoar satírica e burlesca
Nas entranhas desta terra.

Ainda é cor-estigma, ainda é bode,
Mal de nascença, preso à gaiola.
Ainda dói, ainda grita, ainda canta
O fogo da liberdade, ainda berra.

— Tudo marra, tudo berra —
Quero os grilhões quebrados,
Almas livres, a dor extirpada.
Quero a gama de cores
Em céu alvissareiro, Luiz,
E a igualdade exaltada.

Nota:

Poema escrito para a cartilha em homenagem a LUIZ GAMA.

1 QUEM SOU EU? (A Bodarrada) – em: Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, de Luís da Gama – LITERATURA BRASILEIRA – Textos literários em meio eletrônico.

LINK: AQUI

E por falar em imagem…

E por falar em imagem…

Essa é minha Arte para o Coletivo Confrontos (@coletivoconfrontos Instagram)Tema: Literatura.Escolhi o poeta Ferreira Gullar e um dos meus poemas preferidos: Cantiga Para Não Morrer Quando você for se embora,moça branca como a neve,me leve. Se acaso você não possame … Continuar lendo

Poema

Poema

LOGRO (Evelyn Postali) Olhai, olhai!Elas se levantam,Em pontas ao céu erigidoAzuis e cinzas rígidos,De pampa e terra e cavalo.Olhai, olhai!Deste solo de minuanoA tocar uma canção funéreaDe corpo, de sangue,De pó, de bandeira e pialo. Erguei as lanças,Ó, lanceiros, erguei!Erguei … Continuar lendo

Poema

Poema

SE(N/M)HORA Sou eu, aí, na pressa dos meus dias, No carro, no trabalho, na pia.Espremida,pressionada,contida no reverso do reflexo vazio. Eu, esposa que me enfeito.Eu, mãe que adormeço.Eu, mulher que desejo. Eu minto, eu sonho, eu me esqueço. Deixo-me ficar … Continuar lendo

Poema

Poema

Veias Toda a vez que em ti me deito            e sempre que contigo amanheço,            encontro a perdição em teu desejoE minha armadilha em teu calar. Tuas veias arrastam-me em silêncio            e tuas mãos se entrelaçam em meu peito.Tua língua serpenteia em … Continuar lendo

Mó do Tempo, Pó da Alma e Onze Poemas

Mó do Tempo, Pó da Alma e Onze Poemas

Sempre penso na frase de Mário Quintana… “A poesia não se entrega a quem a define.” Por isso, eu não sei bem se são poemas. Escrevo quando meu sentimento não cabe em mim. Busco traduzir em palavras o que não … Continuar lendo

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Poema III Como tu encontraste o caminho de minha alma,estrada coroada de espinhos e paixões desastrosas,de dores raivosas e cor escarlate?De onde as folhas de plátano cobriram o fogo repentinoe a névoa da montanha cegou a mortalha de meu corpo,quando todos … Continuar lendo

Poema

Pão e Osso

De olhar doce e atento,
observa o mundo que passa perto.
Já brincou, quem sabe não,
quem sabe é o tempo.
É preciso ser esperta.
Passa a vida ali, no sossego,
guardando os caminhos,
no relento.
Se ajeita como pode,
no abandono,
sem alvoroço.
Outro já foi seu dono,
carregado sabe como.
Contudo, não se queixa.
A vida é um pedaço de pão ou osso.


Lembrança de quem se foi (2013). Paquita, guardiã da casa da curva da estrada.

Pode ser uma imagem em preto e branco de cão

Cinquentenário do 20 de Novembro

Muito, muito feliz!
Meu poema, cujo título é LOGRO, foi selecionado no concurso 50 Poesias e Textos sobre o Cinquentenário do 20 de Novembro.
Ele vai integrar o livro “Cinquentenário do 20 de Novembro em Textos”. Esse concurso integra as comemorações pelos 50 anos da criação do Dia da Consciência Negra. O concurso selecionou poemas e outras formas de texto sobre a temática e questões relacionadas à data.
Nesse poema eu falo dos Lanceiros Negros e de sua história.

Poema

Créditos da imagem: Evelyn Postali

Prepare o dia, uma manhã plena.
Prepare o altar em almas peregrinas,
À soma de nossos cantos,
Nobres vozes em saudação.
Que ninguém duvide de nossa descrença
Ou de nossa religião,
Porque a vida, tomamos como longa,
Em depósitos, em migalhas.
Prepare o dia, a manhã não falha.
Prepare o altar em sinal de salvação
De corações solitários e estranhos,
A buscar a segurança da oração.
Que ninguém exija exíguas mortalhas
Ou graças de absolvição,
Porque a vida nos joga de volta
Contra nossas próprias muralhas.

Asas de Vidro – Poema

Créditos das Imagens: Evelyn Postali

A paisagem do meu coração se transforma

Em ondas de calor e grânulos de poeira.

A manhã transcende e o verão finda

O inverno é uma jornada em asas de vidro,

Em meias-noites de vigília,

Em poéticas de voos inconstantes.

De flor em flor, de folha em folha,

Como as Gretas oto à deriva,

Voo além das sombras e reflexos,

Além do cristal e do vazio.

Eu sonho com essa viagem,

Desenho essa viagem em asas transparentes,

Carregada por nuvens ligeiras

A sussurrar ao luar uma vida inteira.

E como na magia, os pequenos espelhos

Que ora você vê, ora não,

Refletem a mim mesma

Sem medo de quebrar

Ou voar para além,

Sem medo das rachaduras ou falhas,

De machucar as pétalas de qualquer flor.

E no fim da jornada, arranco as asas,

Egoísta que sou sem arrependimento,

Porque, quem as deseja não saberá usá-las, afinal,

E, morrer voando, valerá a pena.

Di silenzi…

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Il mio silenzio ha molte facce.
La migliore è la vostra.
Tra l’indecisione, la croce,
La prima bugia e il volo.
Dopotutto, siamo noi
Per contenere la scena,
Infrangere la norma
O sconta la pena.
Nessuna pagina indecisa,
O felicità perpetua
In questo libro afflitto dal desiderio
Esigendo il mattino, la finestra aperta,
O la fatica
Nel mantenere la vicinanza.
Il mio silenzio ha molte facce.
Una va avanti
L’altra, massacrami.

De Silêncios…

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Meu silêncio tem muitas faces.
A melhor delas, a tua.
Entre a indecisão, a cruz,
A primeira mentira e a fuga.
Somos nós, afinal,
A conter a cena,
A romper a norma,
Ou cumprir a pena.
Nenhuma página indecisa,
Nem perpétua felicidade
Nesse livro aflito de saudade
A exigir a manhã, a janela aberta,
Ou a labuta
Em manter a proximidade.
Meu silêncio tem muitas faces.
Uma delas segue em frente,
Outra, me abate.

Poema

Croquis

O tempo
Marca registrada do humano em mim
O que passa e o que fica
Na fenda mais profunda
O vinco, a cicatriz
Na abertura mais estreita
O estreito fio no qual me lanço
A estrada e o descompasso
Da chegada e partida
Uma ida e uma volta sem volta
A vastidão e a ilusão do recomeço
Não me reconheço
Nas marcas que fiz